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	<title>descartavel.info &#187; Textos</title>
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		<title>Apple school of business</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2011/08/26/apple-school-of-business/</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 22:49:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geek]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: Ricardo Cavallini, retirado daqui: http://www.coxacreme.com.br/2011/08/25/apple-school-of-business/ Sim, este é mais um texto sobre o Steve Jobs. Mas não vou falar do quanto ele mudou o mundo e todas as outras coisas que estão falando por ai. Também não vou falar o que ele representa pra mim. Para mim, a frase que resume tudo é esta aqui: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por: Ricardo Cavallini, retirado daqui: <a href="http://www.coxacreme.com.br/2011/08/25/apple-school-of-business/" target="_blank">http://www.coxacreme.com.br/2011/08/25/apple-school-of-business/</a></strong></em></p>
<p><a href="http://www.coxacreme.com.br/2011/08/25/apple-school-of-business/" target="_blank"><img class="alignnone size-full wp-image-969" title="steve_jobs" src="http://www.descartavel.info/wp-content/uploads/2011/08/steve_jobs.jpg" alt="" width="446" height="378" /></a></p>
<p>Sim, este é mais um texto sobre o Steve Jobs. Mas não vou falar do quanto ele mudou o mundo e todas as outras coisas que estão falando por ai. Também não vou falar o que ele representa pra mim.</p>
<p>Para mim, a frase que resume tudo é esta aqui:</p>
<blockquote><p>Jobs’ resignation may not hurt the future of Apple. But it will certainly hurt the future. (<a href="http://twitter.com/#!/chaas/status/106742711536730112" target="_blank">@chaas</a>)</p></blockquote>
<p>Este é um texto sobre outro legado que o Jobs deixou que não vi ninguém comentar, pelo menos nas matérias e textos que eu li até agora.</p>
<p>Nos dias atuais, vivemos uma realidade onde o mundo corporativo investe na mediocridade. Um universo onde os grandes gurus vendem o <a href="http://www.coxacreme.com.br/2011/04/17/master-de-jornalismo/" target="_blank">corte de custos como solução de todos os problemas</a>.</p>
<p>A cultura do curto prazo, dos produtos e serviços medíocres, do foco no próprio umbigo, e não o consumidor, de profissionais adestrados para não pensar, não ousar e não sair da curva.</p>
<p>E mais importante, uma cultura que menospreza o investimento em pesquisa e desenvolvimento e evita o risco a todo custo. Que não consegue rever o modelo de negócio e se reinventar, algo tão necessário atualmente.</p>
<p>Como é sabido, 80% da receita da Apple vem de iniciativas novas, com produtos e serviços que nem mesmo eram considerados da mesma indústria há 10 anos. A Apple se tornou uma empresa valiosa (a mais), lucrativa (e muito). Steve Jobs mostrou ao mundo que investir na inovação, no risco e no consumidor valem a pena, financeiramente falando.</p>
<p>É inegável que o Jobs mudou o mundo várias vezes para melhor e deixou um legado, a Apple que conhecemos hoje.</p>
<p>Mas se outras empresas compreenderem e aprenderem com o seu exemplo, o impacto no futuro não seria de uma empresa, mas de várias delas.</p>
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		<title>Eu só queria ser simples de coração</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2011/06/16/eu-so-queria-ser-simples-de-coracao/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 18:20:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu só queria ser simples de coração. Não pensar mil vezes nas mesmas coisas, não hesitar diante de uma oportunidade, não me importar com coisas pequenas, não decidir ser chato apenas para fazer valer minha opinião – quando meu espírito, mesmo beligerante, está mais para uma expressão pacífica da diplomacia. Eu queria ser simples de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Eu só queria ser simples de coração. Não pensar mil vezes nas mesmas coisas, não hesitar diante de uma oportunidade, não me importar com coisas pequenas, não decidir ser chato apenas para fazer valer minha opinião – quando meu espírito, mesmo beligerante, está mais para uma expressão pacífica da diplomacia.</p>
<p>Eu queria ser simples de coração, mas não sou. Sou impulsivo demais, desastrado demais, orgulhoso demais, retraído demais. Ofendido demais. Eu sou um reflexo daquilo que, durante muito tempo, eu não quis ser.</p>
<p>Aliás, parando para pensar com bastante justiça e discernimento, eu nunca pensei em quem eu era ou em quem eu queria ser. Apenas fui sendo formado, forçado, crescendo, errando, mentindo, omitindo, falseando, sonhando, contando. Apenas fui. E, hoje, sou.</p>
<p>Queria ser simples de coração porque os simples de coração não parecem se preocupar com as contas, apenas trabalham e as pagam, nem com a briga com a mulher que amam, apenas vão lá e dizem “ok, amor, podemos fazer de um jeito diferente, vamos pensar num juntos?”, apenas vão lá e escrevem, apenas vão lá e contam, apenas vão lá e vivem.</p>
<p>Os complicados de coração não têm a chance, sequer a chance de serem um dia simples de coração. É impossível para eles conseguirem imaginar que uma pessoa possa ser mais simples, não bater tanta cabeça por bobagem, não assumir coisas que não existem…</p>
<p>Os complicados de coração, ora, não o são por talento ou por vontade. São por que foram construídos assim. Ensinaram para eles que as coisas têm que ser do jeito deles, que meninas não andam sozinhas na rua depois das 22h, que azul é azul e acabou-se a história e passar a gostar de gatos quando a vida inteira os temeu e os odiou é um sacrifício imenso. Percebam que, mesmo eu sendo um assumido complicado de coração, não consigo encontrar exemplos que sustentem a lógica da coisa.</p>
<p>Cresci e crescemos com crenças absolutas e hoje quando lembro da minha mãe elogiando largamente minha inteligência e ressaltando a minha preguiça em aliar a esta um esforço por notas melhores, entendo de onde vem o meu ego inflado e minha preguiça. Ou o modo enrolado como eu resolvo algumas coisas. Ou a minha incapacidade de lidar com discussões sérias. Ou a minha ineficiência em ser organizado. Criei dentro de mim a necessidade de um pequeno caos constante que me alimenta e me aflige e assim produzo, penso, durmo, amo, vivo.</p>
<p>Quase sempre é muito difícil conviver com uma pessoa assim, complicada de coração. Mas pare e pense como é tão mais complicado sê-la. Como é tão mais complicado se odiar no segundo seguinte ao erro repetido. Como é tão mais complicado ser assim e [não] saber que pode ser de outro jeito.</p>
<p>Assim, e por já não ter muito mais o que falar, peço desculpas. Pelo tom de voz, pela empáfia, pela impaciência na espera, pela ironia, pelas coisas que disse e sustentei, pelas inseguranças bobas, pelas contradições, pela falta de tato, pelo sono absurdo, por parecer distante, por ser tão complicado. De coração, de mente, de peito. De tudo.</p>
</div>
<p><em><strong>Tirado daqui:</strong> <a href="http://aidoutorquedor.wordpress.com/2009/05/29/eu-so-queria-ser-simples-de-coracao/" target="_blank">http://aidoutorquedor.wordpress.com/2009/05/29/eu-so-queria-ser-simples-de-coracao/</a></em></p>
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		<title>A insustentável esperteza do SWU</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2010/10/14/a-insustentavel-esperteza-do-swu/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 20:22:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Camilo Rocha e Juliana Ferreira, chupado daqui: http://bateestaca.virgula.uol.com.br/2010/10/13/a-insustentavel-esperteza-do-swu/ SWU: pedalando, mas sem sair do lugar (foto: Gabriel Quintão) Fato: SWU não é, na vocação, um festival de música. Foi o próprio Eduardo Fischer, o publicitário idealizador do evento, quem disse que a música era secundária “porque a maior preocupação do jovem não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<address>Texto de Camilo Rocha e Juliana Ferreira, chupado daqui: </address>
<p><a href="http://bateestaca.virgula.uol.com.br/2010/10/13/a-insustentavel-esperteza-do-swu/" target="_blank">http://bateestaca.virgula.uol.com.br/2010/10/13/a-insustentavel-esperteza-do-swu/</a></p>
<p><a href="http://bateestaca.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/10/BE-bicicletas.jpg"><img title="BE-bicicletas" src="http://bateestaca.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/10/BE-bicicletas.jpg" alt="" width="500" height="400" /></a></p>
<p><em>SWU: pedalando, mas sem sair do lugar (foto: Gabriel Quintão)</em></p>
<p>Fato: SWU não é, na vocação, um festival de música. Foi o próprio  Eduardo Fischer, o publicitário idealizador do evento, quem disse que a  música era secundária<a href="http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/musica/2010/08/19/256614-eduardo-fischer-cabeca-do-swu-diz-que-festival-e-imbativel" target="_blank"><strong> “porque a maior preocupação do jovem não é com a música, e sim com o futuro do planeta”.</strong></a></p>
<p>Então o SWU era primeiramente um evento de sustentabilidade?  Infelizmente, só na fachada. Bastaram algumas horas por lá para  confirmar : o SWU foi mesmo um evento de propaganda e marketing. A  música era boa, mas a sustentabilidade era de plástico.</p>
<p>Chegando no estacionamento do Anhembi, em São Paulo, o primeiro  contato com a estrutura do SWU decepciona. É um dos ônibus que leva o  público para Itu. Ele solta muita fumaça preta e parece surrado por anos  de estrada.</p>
<p>Na hora de comprar a passagem, outra surpresa desagradável. “R$ 30″,  informa a moça. Trinta reais pra ir e voltar de Itu, tá OK, pensamos.  “Não, R$ 30 só de ida”, esclarece a funcionária. Ou seja, pra voltar de  Itu serão mais R$ 30 por cabeça. Incentivo ao transporte coletivo versão  SWU não sai barato, não!</p>
<p><strong>VERMELHA 1 X 0 VERDE</strong></p>
<p>A viagem é rápida e tranquila e logo estamos na Fazenda Maeda, local  do evento. Corremos para pegar a parte final do set do Aeroplane, bem  groovado num jeito disco-house de ser. Mixhell entra em seguida, com  seleção bem pop (Iggor Cavalera tocando “Rhythm Is A Dancer”, do Snap!;  para muito metaleiro isso sim é prova de que nosso planeta está perdido)  e momentos de euforia com os solos animais de Iggor na bateria.</p>
<p>Falando em animais, restos mortais de centenas deles vão mudando de  cor nas grelhas da praça de alimentação ali do lado: é a linha de  montagem de espetos “Mimi” trabalhando a todo vapor. O que mais sai? “De  carne [bovina]“. Nem precisava dizer. Se tem um cheiro que marcou a  “experiência” SWU nas primeiras horas, foi o de carne bovina assada.  Justo a bovina, cuja criação é de longe a mais nociva ao meio ambiente.</p>
<p>Dando uma geral nessa praça de alimentação, procuramos sinais que a  diferenciasse da praça de alimentação do rodeio de Jaguariúna. Pois em  meio a litros de refrigerante sendo deglutidos em copos de plástico,  espetos e mais espetos, pizzas gordurosas, salgadinhos industrializados,  o cardápio clássico do junk food, eis que avistamos, tímida no canto, a  palavra “vegieburger” (grafado errado mesmo, faltando um g, tudo bem,  coisas de falta de familiaridade). Ah, ufa!</p>
<p><strong>DANÇANDO NAS BITUCAS</strong></p>
<p><strong><a href="http://bateestaca.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/10/BE-pistaeletronicaswu.jpg"><img title="BE-pistaeletronicaswu" src="http://bateestaca.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/10/BE-pistaeletronicaswu.jpg" alt="" width="500" height="400" /></a></strong><em> </em></p>
<p><em><em>Pista eletrônica do SWU (foto: Gabriel Quintão)</em></em></p>
<p>De volta à tenda eletrônica, vemos Gui Boratto entrando ovacionado e,  mesmo com um live que começa paciente e discreto, segura o povo, que  vai sendo absorvido por camadas cada vez mais intensas de minimal-tech  melódico. Dançamos felizes em cima das centenas de copos de plástico e  bitucas de cigarro que vão se acumulando no chão. Culpa do povo? Também,  mas cadê as latas de lixo? Cinzeiros então não existem. Tudo bem que  distribuíram recipientes de bituca nas entradas, mas não foi pra todo  mundo (nós não ganhamos) e quem garante que os que receberam andaram com  eles o tempo todo?</p>
<p>Fomos para um rolê pela Maeda e passamos por diversas empresas  conhecidas por seu engajamento (cof! cof!) na causa ambiental como Oi,  Nestlé, Coca-Cola, e, ah, agora sim, Greenpeace. Ops, não não, é  Greenspace na verdade. Heineken Greenspace. É nesse desfile de  logomarcas que grita histérica a grande contradição do SWU: na vitrine,  ele sorri todo paz e amor, “vamos salvar o planeta”; do lado de dentro,  ele grunhe e ri cinicamente, “vamos consumir, gente, vamos consumir!”</p>
<p>Como que para sublinhar essa falta de sinceridade na mensagem,  apareceu outra mega-incongruência, revelada pela sempre atenta Flavia  Durante: a Fischer tem entre seus clientes a Monsanto, rainha dos  transgênicos no mundo e verdadeiro Satanás para ambientalistas de todas  as gradações. Quer dizer…</p>
<p><strong>AH, COMO É BOM SER PREMIUM</strong></p>
<p>De volta ao rolê, seguimos em direção ao gramado principal, onde  ficam os dois grandes palcos do evento. Como tínhamos credenciais,  pudemos adentrar a área “premium” do evento.</p>
<p>Aqui entramos em outro planeta, o tal mundo melhor que já nos foi  anunciado em tantas publicidades de condomínio de Alphaville (cidade  “premium” que, ironicamente, fica no caminho de São Paulo para Itu).  Aqui, o ambiente respira “seleção”. Menos gente circulando, mais opções  de comida (mexicano, temaki de salmão, aqui um caso de comida mais  saudável e eco-correta, mas para poucos), a chance de disputar espaço no  balcão com algum artista do festival.</p>
<p>Se vamos falar em nova mentalidade, em consertar os velhos vícios do  mundo, o SWU perdeu uma grande chance de mostrar coerência entre teoria e  prática ao ser mais um evento endossando a tradição Casa Grande &amp;  Senzala da nossa terra querida, contaminada por essa doença anti-social  que faz todo mundo querer ser VIP (ou levar vantagem, como queira) em  tudo na vida.</p>
<p>O mundo sustentável será, seguramente, um mundo menos desigual, mais  coletivo, mais solidário, mais humanitário. O mundo da cabeça antiga tem  a ver com segregação, individualismo, lucro acima de tudo e consumismo.</p>
<p>Com água a R$ 4, refris a R$ 6, cheese-burguers toscos a R$ 12, pista  premium, área premium, camping premium, a gritante divisão ente dois  mundos, qual é mesmo o mundo que o SWU está defendendo?</p>
<p>Para completar, soam mesquinhas e gananciosas uma série de restrições  impostas ao público: fichas de um dia não valem para outro; não pode  entrar com água ou comida no festival trazida de fora; não havia  bebedouros ou qualquer fonte de água gratuita etc etc.</p>
<p><span style="color: #ffcc00;"><strong><em>(&#8230;) Trecho Omitido</em></strong></span></p>
<p><strong>ECO-LEVIANDADE</strong></p>
<p>Um dos grandes desafios do movimento ambiental é convencer a  população a trazer hábitos mais eco-conscientes para o dia a dia, de  maneira realista e sem parecer chato.</p>
<p>O SWU manobrou demais para o outro lado: fez sustentabilidade parecer  brincadeira, superficial e leviana, curtição de fim de semana. Todo  mundo vai lembrar daquele incrível labirinto de lixo compactado, mas  quantos começarão a separar o lixo no dia seguinte em casa?</p>
<p>Apesar da tecla ter sido o tempo todo “começa com você”, ajudaria muito se o exemplo viesse de cima.</p>
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		<title>Fique CALMO: algo sobre tudo o que você já aprendeu</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2010/04/29/fique-calmo-algo-sobre-tudo-o-que-voce-ja-aprendeu/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 16:09:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Fique calmo. Você tem cinco anos de idade e só queremos que você sente nesta cadeira desconfortável por 5 horas. Não começaremos por tanto tempo. No início há mais intervalos e períodos lúdicos. Vamos aumentando aos poucos. Portanto, fique calmo. Amanhã você também sentará nesta cadeira desconfortável por mais algum tempo. De segunda a sexta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fique calmo.</p>
<p>Você tem cinco anos de idade e só queremos que você sente nesta cadeira desconfortável por 5 horas.</p>
<p>Não começaremos por tanto tempo. No início há mais intervalos e períodos lúdicos. Vamos aumentando aos poucos.</p>
<p>Portanto, fique calmo.</p>
<p>Amanhã você também sentará nesta cadeira desconfortável por mais algum tempo.</p>
<p>De segunda a sexta e, às vezes, no sábado também. Embora por menos tempo.</p>
<p>E quando finalmente aprender a sentar nesta cadeira desconfortável por cinco horas, lá na frente estará um sujeito que falará durante as cinco horas sobre assuntos que, possivelmente, não interessam a você.</p>
<p>Não é culpa dele. Talvez nem ele saiba mais o que está fazendo ali.</p>
<p>Pois ele, antes de você, já teve a fase em que sentou-se, durante anos, em uma cadeira desconfortável durante cinco horas, ouvindo alguém falar sobre coisas que não lhe interessavam.</p>
<p>E, depois de passar por um processo desses, repetidamente, é bem possível que ele já não ligue mais para isso. Note como ele fala calmamente.</p>
<p>Assim, fique calmo.</p>
<p>Você não está aprendendo Matemática. Não está aprendendo Língua Portuguesa. Não está aprendendo Ciências. Isso é só a fachada.</p>
<p>O currículo está para o verdadeiro ensino como o restaurante sem movimento está para a lavagem de dinheiro de algum negócio ilícito. É só a fachada.</p>
<p>O que você aprende de verdade é que você deve suportar situações insuportáveis por períodos longos do seu dia, repetidamente ao longo de anos de sua vida.</p>
<p>A cadeira desconfortável em que você se senta por milhões de minutos está moldando sua bunda para o que bilhões de adultos costumam chamar de cotidiano.</p>
<p>Esse aprendizado tornará mais fácil e cômodo aceitar aquilo que se espera de você daqui a alguns anos.</p>
<p>E o cara lá na frente é uma espécie de boneco de treinamento. A exemplo dos simuladores, ele não pode feri-lo de verdade. Mas está condicionando você para a coisa mais importante nesta vida:</p>
<p>RESPEITAR A AUTORIDADE. A AUTORIDADE SÓ FALA A VERDADE.</p>
<p>E, pode acreditar, você terá oportunidade de respeitá-la e também de ser autoridade, às vezes simultaneamente, às vezes como boneco de treinamento. Ser, nessa máquina, uma engrenagem. Que é movida mas que move também</p>
<p>Sem respeito à autoridade, o mundo como o conhecemos não funciona. E todo o mundo sabe como o mundo, tal e qual o conhecemos, é ótimo. Todos o adoram. Ninguém quer engrenagens que se movam em algum sentido inesperado.</p>
<p>Então. Fique calmo. E sentado.</p>
<p>Outra coisa importante: errar é horrível.</p>
<p>Esperamos que você só acerte nesta vida.</p>
<p>Sabemos que ter medo de errar prejudica a criatividade, pois a criatividade presume eventuais erros.</p>
<p>Mas também ninguém espera que todo o mundo seja criativo. Afinal, o que seria da autoridade se todo o mundo começasse a ser criativo e tivesse liberdade para errar sem medo?</p>
<p>Assim, mais fachada: parece bonito ensinar alguém a só acertar, mas de verdade o que você tem que aprender mesmo é o medo de errar.</p>
<p>O mercado não admite erros.</p>
<p>Não havíamos tocado neste assunto, ainda.</p>
<p>O mercado.</p>
<p>Mas saiba que o mercado é a cola que une a sua bunda a essa cadeira desconfortável. Afinal, você precisa, um dia, ser capaz de ser um empregado e fazer parte do mercado.</p>
<p>É por isso que você está sentado. Sentado e calmo.</p>
<p>Fique calmo.</p>
<p>E, depois de anos de cadeira, ouvindo alguém falar de coisas que não lhe interessam em absoluto, você passará por uma coisa chamada vestibular.</p>
<p>O vestibular verifica se você ouviu e absorveu o suficiente de coisas desinteressantes e se, assim, será capaz de, mais tarde, vender seu tempo para projetos que também não lhe interessam necessariamente. E, assim, ser um empregado exemplar.</p>
<p>Isso tudo depende de:</p>
<p>* sua capacidade de ficar sentado em uma cadeira desconfortável, que indica sua predisposição a suportar situações insuportáveis<br />
* sua capacidade de não questionar a autoridade, tão firmemente desenvolvida e fixada ao longo de anos que você nem a percebe<br />
* sua capacidade de se interessar por assuntos que não o interessam realmente, que é uma espécie de auto-engano que as grandes empresas costumam chamar hoje de proatividade e de sinergia</p>
<p>Se você tiver absorvido tudo isso, certamente passará no vestibular. Muito embora – e mais uma vez entramos no tema da fachada – o vestibular pareça medir coisas como Matemática, Língua Portuguesa e Ciências.</p>
<p>Podemos concluir, grosso modo, que quanto mais concorrida a vaga de um curso, mais ela exige das três capacidades acima arroladas.</p>
<p>Matemática, Língua Portuguesa e Ciências são índices apenas. Na verdade, estão para o verdadeiro ensino como o hambúrguer está para o cadáver do boi.</p>
<p>Ainda assim, FIQUE CALMO.</p>
<p>Sim. Finalmente, você entrou em uma faculdade.</p>
<p>PARABÉNS!</p>
<p>Mais alguns anos de cadeira desconfortável. Só para garantir.</p>
<p>Mas agora você não precisa ficar sentado nela durante tanto tempo. Não é preciso. Seu espírito já se dobrou. Possivelmente, ele está sentado neste momento, suportando alguma situação insuportável, mesmo quando você está em pé.</p>
<p>Bem calmo.</p>
<p>É bem provável que essa faculdade em que você entrou tenha como slogan algo semelhante a “preparamos para o mercado” com a foto de um modelo sorridente abaixo.</p>
<p>Não confunda: ele não é um estudante da instituição, mas os dentes daquele sorriso são o mercado.</p>
<p>Para as fachadas mais humanas, o slogan é algo como “preparamos para a vida”. Que, considerando que vida e mercado hoje são quase sinônimos, dá na mesma.</p>
<p>“Preparamos cidadãos” – e seus equivalentes – quer dizer “ensinamos você a usar o Procon”. Porque, no mercado, o bom cidadão é o consumidor. Talvez a única vez que você tenha questionado o sujeito que fala coisas desinteressantes lá na frente tenha sido dizendo algo como: “Ei, eu pago o seu salário! Sou um consumidor!”. Parabéns, você aprende rápido.</p>
<p>Pois se você é incapaz de consumir, não é um cidadão de primeira classe. Talvez nem seja um cidadão.</p>
<p>E o mercado pede que você seja um cidadão. E o máximo a que o seu questionamento será capaz de chegar irá até estas três letrinhas: SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor).</p>
<p>Se as empresas quisessem atender pessoas, colocariam gente de verdade atendendo aos telefonemas. E não gravações ou outras pessoas lendo scripts e preparadas pelo mercado.</p>
<p>Por isso, o mercado – de olho no futuro – cola sua bunda à cadeira desconfortável durante horas.</p>
<p>Para aprender a suportar situações insuportáveis, respeitar a autoridade e para nivelar sua criatividade tão aceitavelmente quanto a volúpia de um gato castrado.</p>
<p>Para que assim, um dia, você possa contribuir e, só então, consumir: realimentando o processo.</p>
<p>Eu sei que, aos cinco anos de idade, é difícil entender o que está acontecendo.</p>
<p>Mas peço que, por alguns instantes e nos seguintes, você FIQUE CALMO.</p>
<p>Em alguns anos você vai aceitar tudo perfeitamente.</p>
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		<title>Wabi Sabi, ou o perfeito é uma merda</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 18:28:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por: Hiro Um adendo, dessa vez chinês: um conceito parecido com o Wabi Sabi e sempre presente nas filosofias taoístas e confucionistas é o conceito de ordem e caos, de perfeição ou imperfeição ou, em chinês, Wei Chi e Ji Ji. A perfeição, quando e se alcançada, não é permanente. No momento em que ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="entry">
<p><em>Por: Hiro</em></p>
<p>Um adendo, dessa vez chinês: um conceito parecido com o Wabi Sabi e sempre presente nas filosofias taoístas e confucionistas é o conceito de ordem e caos, de perfeição ou imperfeição ou, em chinês, Wei Chi e Ji Ji. A perfeição, quando e se alcançada, não é permanente. No momento em que ela é atingida, ela vai ser descontruída em seguida, ou então a situação se tornará uma constante tensão. Assim, meu amiguinho, carro novo que sai da concessionário tem 50% de chance de bater e dar uma arranhada, da mesma forma que seu traço perfeito hoje vai mudar e virar coisa pra se torcer o nariz daqui a um ano ou dois. Assumir que isso pode acontecer e faz parte da vida o fará menos tenso do que a tentativa eterna de nunca arranhá-lo. Quem vive em eterna tensão feliz não é, como diria Yoda.</p>
<p>Em termos de traço de desenho, não deveria ser algo sofrível conseguir algo que deve vir de forma natural, e também não adianta tentar congelar algo que você acha que é perfeito e gostaria que fosse eterno, com medo dele mudar e ficar pior com o passar do tempo. Traço TEM que evoluir se você desenhar constantemente, com exceção do que faz o Rob Liefeld, é a exceção que faz a regra.</p>
<p>Falando que nem Confúcio, o problema do homem comum quando vê um cara talentoso é que ele só vê o sucesso, não vê o duro danado que ele deu pra chegar até lá. Ou mais confucionamente falando, o homem comum, ao ver uma montanha, só vê o topo. O sábio vê o caminho até chegar lá. Esse aviso serve tanto pra quem acha que tem que desenhar como Adam Hughes, como aquele que acha que só vai ser feliz se tiver uma Cintiq como aquele que lambe capa da Playboy sonhando ser a mãe dos seus filhos ou daquelas que pregam a foto da Ana Hickman na geladeira pra perder peso. Você não tem que ser Adam Hughes, tem que desenhar o seu traço contanto que ele te deixe feliz. Se esse traço for comercial e você conseguir fazer coisas bonitas que trazem dinheiro, um abraço e um tapa nas costas pra você porque você é um felizardo, e pra ser felizardo não precisa de muita coisa.</p>
<p>O mundo seria bem melhor se não fosse tanto obcecado pelo perfeito. Essa praga se chama ANSIEDADE e só se cura com bom senso e tapa na cabeça.</p>
<p><span style="color: #333333;"><em>PS: O texto acima foi retirado do <a href="http://www.hiro.art.br/widonid/2010/03/31/wabi-sabi-ou-o-perfeito-e-uma-merda/" target="_blank">blog do Hiro Kawahara</a>, excelente ilustrador e, para os desavisados, o autor dos desenhos das toalhinhas que cobrem as bandejas do McDonalds.</em></span></p>
</div>
<div class="zemanta-pixie"><img class="zemanta-pixie-img" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=7d6f4bea-84e8-8cff-b863-dd630c806538" alt="" /></div>
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		<title>Experience</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 19:54:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[By: Aldous Husley &#8220;Experience is not what happens to you. It is what you do with what happens to you.&#8221;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>By: Aldous Husley</em></p>
<p><strong>&#8220;Experience is not what happens to you. It is what you do with what happens to you.&#8221;</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>L&#8217;Age D&#8217;Or</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 13:50:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é belo todo e qualquer mistério? O maior segredo é não haver mistério algum. Isn´t it beatiful any and every mistery? The biggest secret is that there is no mistery at all.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é belo todo e qualquer mistério?<br />
O maior segredo é não haver mistério algum.</p>
<p>Isn´t it beatiful any and every mistery?<br />
The biggest secret is that there is no mistery at all. </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Jealousy &#8211; V</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 13:48:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pastilhas]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Jealousy is an emotion and typically refers to the negative thoughts and feelings of insecurity, fear, and anxiety over an anticipated loss of something that the person values, such as a relationship, friendship, or love. Jealousy often consists of a combination of emotions such as anger, sadness, and disgust. Jealousy differs from envy in that [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jealousy is an emotion and typically refers to the negative thoughts and feelings of insecurity, fear, and anxiety over an anticipated loss of something that the person values, such as a relationship, friendship, or love. Jealousy often consists of a combination of emotions such as anger, sadness, and disgust. Jealousy differs from envy in that jealousy is about something one has and is afraid of losing, while envy refers to something one does not have and either wants to acquire or to prevent another from acquiring.</p>
<p>Jealousy is a familiar experience in human relationships. It has been observed in infants five months old and older.Some claim that jealousy is seen in every culture; however, others claim jealousy is a culture-specific phenomenon.</p>
<p>Jealousy as an emotion or the impact of jealousy has been a theme of many novels, songs, poems, films and other artistic works. It has also been a topic of interest for scientists, artists, and theologians. Psychologists have proposed several models of the processes underlying jealousy and have identified factors that result in jealousy. Sociologists have demonstrated that cultural beliefs and values play an important role in determining what triggers jealousy and what constitutes socially acceptable expressions of jealousy. Biologists have identified factors that may unconsciously influence the expression of jealousy. Artists have explored the theme of jealousy in photographs, paintings, movies, songs, plays, poems, and books. Theologians have offered religious views of jealousy based on the scriptures of their respective faiths.</p>
<p><em>Taken from Wikipedia.</em></p>
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		<title>Não sei que nome você daria a isso.</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 21:36:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pastilhas]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: Marçal Aquino “Têm sido assim meus dias. Sou mais feliz que 97,6% da humanidade, nas contas do professor Schianberg. Faço parte de uma ínfima minoria, integrada por monges trapistas, alguns matemáticos, noviças abobadas e uns poucos artistas, gente conservada na calda da mansidão à custa de poesia ou barbitúricos. Um clube de dementes de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por: Marçal Aquino<br />
</em></p>
<p>“Têm sido assim meus dias. Sou mais feliz que 97,6% da humanidade, nas contas do professor Schianberg. Faço parte de uma ínfima minoria, integrada por monges trapistas, alguns matemáticos, noviças abobadas e uns poucos artistas, gente conservada na calda da mansidão à custa de poesia ou barbitúricos. Um clube de dementes de categorias variadas, malucos de diversos calibres. Gente esquisita, que vive alheia nas frestas da realidade. Só assim conseguem entregar-se por inteiro àquilo que consagraram como objeto de culto e devoção. Para viver num estado de excitação constante, confinados num território particular, incandescente, velado aos demais. Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno. É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar, sustenta Schianberg.<br />
Não sei que nome você daria a isso.<br />
Bem, não importa muito, chame do que quiser.</p>
<p>Eu chamo de amor.”</p>
<p><em>Retirado de &#8220;Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios&#8221;, p. 229.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Para Juliana</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2009/05/19/para-juliana/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 14:47:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Imune Você me imuniza. Você me protege de amores insanos, de amores menores, de acertos e enganos. Você me imuniza. Se inocula em meu corpo cada vez que me beija. Você me imuniza, cada vez que me deixa entrar em você com seu jeito quente e manso com seus carinhos que ardem e machucam, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Imune</strong><br />
Você me imuniza.</p>
<p>Você me protege de amores insanos,<br />
de amores menores,<br />
de acertos e enganos.</p>
<p>Você me imuniza.<br />
Se inocula em meu corpo cada vez que me beija.</p>
<p>Você me imuniza,<br />
cada vez que me deixa entrar em você<br />
com seu jeito quente e manso<br />
com seus carinhos que ardem e machucam,<br />
que perfuram e esquentam<br />
que transbordam e explodem<br />
e por fim<br />
acalmam.</p>
<p>Você me protege de loucuras e de chamas,<br />
de jogos e de tramas<br />
e dores.</p>
<p>Você me imuniza de todos os amores<br />
que não sejam o seu<br />
de porres e fossas que não  sejam por você<br />
de ausências, demoras<br />
Você me imuniza de tudo</p>
<p>porque você domina meu todo<br />
percorre com seu cheiro o meu corpo<br />
e não deixa espaço<br />
pra mais parte ou todo nenhum.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Pesquisa comprova que trabalhar demais leva à demência</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2009/03/10/pesquisa-comprova-que-trabalhar-demais-leva-a-demencia/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 16:11:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Misc]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma pesquisa liderada por cientistas finlandeses sugere que excesso de trabalho pode aumentar o risco de declínio mental e, possivelmente, de demência. Demência é um termo genérico que descreve a deterioração de funções como memória, linguagem, orientação e julgamento. Existem vários tipos de demência, mas o mal de Alzheimer, com dois terços dos casos, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pesquisa liderada por cientistas finlandeses sugere que excesso de trabalho pode aumentar o risco de declínio mental e, possivelmente, de demência. Demência é um termo genérico que descreve a deterioração de funções como memória, linguagem, orientação e julgamento. Existem vários tipos de demência, mas o mal de Alzheimer, com dois terços dos casos, é a forma mais comum.</p>
<p>O estudo analisou 2.214 funcionários públicos britânicos de meia idade e descobriu que aqueles que trabalhavam mais de 55 horas por semana tinham menos habilidades mentais do que os que faziam o horário normal. A pesquisa, divulgada na publicação científica American Journal of Epidemiology, descobriu que os que trabalhavam demais tinham problemas com a memória de curto prazo e lembrança de palavras.</p>
<p>Ainda não se sabe a razão de o excesso de trabalho causar estes efeitos no cérebro, mas os pesquisadores afirmam que os fatores mais importantes podem incluir o aumento de problemas do sono, depressão, estilo de vida prejudicial à saúde e o aumento do risco de doenças cardiovasculares, possivelmente ligados ao estresse. “As desvantagens das horas extras devem ser levadas a sério”, afirmou a pesquisadora que liderou a pesquisa Marianna Virtanen, do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional.</p>
<p>Os funcionários públicos que participaram do estudo fizeram cinco testes diferentes para avaliar a função mental, uma vez entre 1997 e 1999 e novamente entre 2002 e 2004. Os que faziam mais horas extras tiveram pontuações menores em dois dos cinco testes, que avaliavam raciocínio e vocabulário.</p>
<p>Os efeitos eram cumulativos, quanto mais longa a semana de trabalho, piores eram os resultados nos testes. Os empregados que trabalhavam em excesso tinham menos horas de sono, relatavam mais sintomas de depressão e consumiam mais bebidas alcoólicas do que os que trabalhavam apenas no horário normal.</p>
<p>O professor Mika Kivimäki, que também trabalhou na pesquisa afirmou que os cientistas vão continuar com o estudo. “É particularmente importante examinar se os efeitos são duradouros e se o excesso de trabalho pode levar a problemas mais graves como demência”.</p>
<p>Cary Cooper, especialista em estresse no local de trabalho na Universidade de Lancaster, Grã-Bretanha, afirmou que já se sabe há algum tempo que trabalhar em excesso de forma regular pode prejudicar a saúde em geral. Agora, este estudo sugere que também podem haver danos ao funcionamento mental.</p>
<p>“Isto deve enviar uma mensagem aos empregadores de que insistir que as pessoas trabalhem em excesso na verdade não é bom para os negócios”, disse. “Mas a minha preocupação é que em uma recessão as pessoas trabalhem mais. As pessoas irão para o trabalho mesmo se estiverem doentes, pois querem mostrar comprometimento e garantir que não sejam os próximos funcionários demitidos”, acrescentou.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Imposto sobre a maconha pode ajudar Califórnia a sair da crise</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2009/03/04/imposto-sobre-a-maconha-pode-ajudar-califa%c2%b3rnia-a-sair-da-crise/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 15:09:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Misc]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[O projeto de lei de um deputado do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, propõe a legalização da maconha e a cobrança de impostos sobre a venda da droga, como forma de ajudar a reduzir o alto déficit do Estado. O projeto do representante democrata de San Francisco, Tom Ammiano, legalizaria o cultivo, a posse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-316" title="grass" src="http://www.descartavel.info/wp-content/uploads/2009/03/grass.jpg" alt="grass" width="380" height="562" /></p>
<p>O projeto de lei de um deputado do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, propõe a legalização da maconha e a cobrança de impostos sobre a venda da droga, como forma de ajudar a reduzir o alto déficit do Estado.</p>
<p>O projeto do representante democrata de San Francisco, Tom Ammiano, legalizaria o cultivo, a posse e a venda de maconha para maiores de 21 anos. A utilização medicinal da maconha já é legal na Califórnia, mas a nova legislação iria além disto, permitindo o uso da substância para consumidores comuns.</p>
<p>Cultivadores da erva e atacadistas pagariam uma taxa inicial de franquia de US$ 5 mil, além de um imposto anual de US$ 2,5 mil. Já os revendedores pagariam US$ 50 por cada onça (28 gramas) do produto.</p>
<p>Críticos da proposta acreditam que a legalização estimularia o consumo da maconha e levaria ao uso de drogas mais pesadas e que ao cobrar imposto o governo teria interesse em manter elevado o consumo.</p>
<p>E você o que acha? Você acredita que a legalização estimularia o consumo? Você acha errado o governo cobrar imposto sobre a venda de drogas?</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Pequeno dicionário de emoções</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2008/10/24/pequeno-dicionario-de-emocoes/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 15:02:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Misc]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[SAUDADE é  quando o momento tenta fugir da recordação para aparecer de novo e não consegue. RECORDAÇÃO é quando, sem autorização, o teu pensamento torna a mostrar um episódio. ANGÚSTIA é um  nó muito bem apertado no meio da tranquilidade. PREOCUPAÇÃO é como uma cola que não deixa sair do teu pensamento aquilo que nem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>SAUDADE </strong>é  quando o momento tenta fugir da recordação para aparecer de novo e não consegue.</p>
<p><strong>RECORDAÇÃO </strong>é quando, sem autorização, o teu pensamento torna a mostrar um episódio.</p>
<p><strong>ANGÚSTIA </strong>é um  nó muito bem apertado no meio da tranquilidade.</p>
<p><strong>PREOCUPAÇÃO </strong>é como uma cola que não deixa sair do teu pensamento aquilo que nem sequer aconteceu.</p>
<p><strong>INDECISÃO </strong>é quando você sabe muito bem o que quer, mas parece que você deveria optar por outra coisa.</p>
<p><strong>SEGURANÇA </strong>é quando a idéia se cansa de procurar e pára.</p>
<p><strong>INTUIÇÃO </strong>é quando o teu coração dá um salto ao futuro e regressa imediatamente.</p>
<p><strong>PRESSENTIMENTO </strong>é quando passa pela tua mente o &#8220;trailer&#8221; de um filme que pode muito bem nem acontecer.</p>
<p><strong>VERGONHA </strong>é um pano preto que você deseja que te cubra naquele momento.</p>
<p><strong>ANSIEDADE </strong>é quando os  minutos parecem intermináveis para que você consiga o que quer.</p>
<p><strong>INTERESSE </strong>é um sinal de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.</p>
<p><strong>SENTIMENTO </strong>é a língua que o coração usa quando necessita mandar alguma mensagem.</p>
<p><strong>RAIVA </strong>é quando o leão que vive em ti mostra os dentes.</p>
<p><strong>TRISTEZA </strong>é uma mão gigante que aperta o coração.</p>
<p><strong>FELICIDADE </strong>é um momento que não tem pressa nenhuma.</p>
<p><strong>AMIZADE </strong>é  compartilhar a vida com aqueles que você ama, por mais diferentes que eles sejam.</p>
<p><strong>CULPA </strong>é quando você está convencido que  podia ter feito algo diferente, mas nem sequer tentou.</p>
<p><strong>LUCIDEZ </strong>é um acesso de  loucura ao contrário.</p>
<p><strong>RAZÃO </strong>é quando o cuidado aproveita que a emoção esteja dormindo e toma o comando.</p>
<p><strong>VONTADE </strong>é um desejo que nos incentiva a fazer novas descobertas.</p>
<p><strong>PAIXÃO </strong>é quando, apesar da  palavra &#8220;perigo&#8221;, o desejo chega e se instala.</p>
<p><strong>AMOR </strong>é quando o resto da tua vida não é  suficiente para compartilhar com essa pessoa tão especial.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A mágica não acontece duas vezes</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2008/10/17/a-magica-nao-acontece-duas-vezes/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Oct 2008 13:53:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: Marçal Aquino O rapaz e a moça entraram na pousada e, de um jeito tímido, ele perguntou o preço da diária. O velho Lilico informou e o rapaz e a moça trocaram um olhar em que faiscaram jóias de diversos tamanhos. A maior delas era a cumplicidade. Enquanto o rapaz preenchia a ficha de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por: Marçal Aquino</em></p>
<p><span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"><br />
O rapaz e a moça entraram na pousada e, de um jeito tímido, ele perguntou o preço da             diária. O velho Lilico informou e o rapaz e a moça trocaram um olhar em que faiscaram             jóias de diversos tamanhos. A maior delas era a cumplicidade.</p>
<p>Enquanto o rapaz preenchia a ficha de entrada, a moça se afastou um pouco para examinar             melhor o quadro na parede — e pude vê-la por inteiro.</p>
<p>Era muito bonita. Tinha os cabelos e a pele claros. Alta, magra, ossos salientes nos             ombros. Estava no mundo há pouco mais de uma década e meia e, com certeza, alguém que             recusara já havia escrito poemas desesperados pensando nela. Ou cortado os pulsos —             o que é quase a mesma coisa.</p>
<p>Embora não merecesse, o quadro recebeu toda sua atenção por alguns instantes. Era uma             pintura ordinária. Eu já tivera a oportunidade de analisá-la durante as longas tardes             em que a chuva me impedia de sair para caminhar pela cidade. Uma cidade habitada, fora da             temporada turística, por velhos, aposentados e hippies extemporâneos. Gente que tentava,             de um jeito ou de outro, ser esquecida.</p>
<p>O quadro: penso que o artista havia experimentado um momento de genuína felicidade ao             contemplar, em algum canto do país, aquelas montanhas, aquele prado, aqueles cavalos. E,             generoso, decidira compartilhar esse momento com o resto da humanidade. Mas a verdade é             que fracassara. A arte não é feita de boas intenções.</p>
<p>O olhar com que a moça se despediu — para sempre — daquela obra continha um             pouco de piedade. E, com isso, ela me conquistou em definitivo.</p>
<p>O velho Lilico entregou a chave ao rapaz, que se voltou e sorriu para a moça. Seu ar era             de alguém vitorioso. Mas sou capaz de apostar que a mão que ele juntou à dela, antes de             subirem a escada de madeira, tinha a palma molhada de suor. Havia um princípio de rubor             no rosto dela. Eram muito jovens e estavam vivendo um grande momento, mas não sabiam             disso ainda. Essas coisas a gente só compreende depois.</p>
<p>Lilico deixou o balcão da recepção e foi até a copa, onde falou alguma coisa para             Jair, um de seus empregados. Em seguida veio até a mesa que eu ocupava.</p>
<p>&#8220;Gosto de gente que chega para hospedar-se sem nenhuma bagagem&#8221;, ele comentou.</p>
<p>&#8220;E a felicidade que eles carregam, não conta?&#8221;, eu perguntei.</p>
<p>Ele examinou o tabuleiro, como se estivesse tentando rememorar a jogada que pretendia             fazer antes de ser interrompido pela chegada do casal.</p>
<p>&#8220;Mandei o Jair levar uma garrafa de champanhe para eles. Cortesia da casa”.</p>
<p>&#8220;Fez bem&#8221;, eu disse.</p>
<p>&#8220;Gozado, sabe quem essa moça me lembrou?&#8221;</p>
<p>Eu disse: &#8220;Sei&#8221;.</p>
<p>&#8220;Acho que foram os olhos dela&#8221;, ele falou. &#8220;Muito parecidos.&#8221;</p>
<p>Retomamos o jogo e não falamos mais do casal. Eu, porém, continuei pensando neles. Num             dia como aquele, anos antes, uma mulher, que entrava comigo num hotel bem diferente             daquela pousada, me dissera: &#8220;Hoje eu vou te dar um presente muito especial&#8221;.</p>
<p>Um pouco depois da meia-noite interrompemos o jogo e o velho Lilico recolheu as peças e             guardou o tabuleiro. E eu já estava no meio da escada, a caminho do meu quarto, quando             ele perguntou:</p>
<p>&#8220;Você ainda pensa nela?&#8221;</p>
<p>&#8220;De vez em quando eu penso.&#8221;</p>
<p>&#8220;E por que você não vai atrás dela? Vocês dois ainda têm alguns anos pela             frente.&#8221;</p>
<p>&#8220;A mágica não acontece duas vezes&#8221;, eu disse.</p>
<p>O velho Lilico balançou a cabeça.</p>
<p>&#8220;Você sabe que só em filme francês antigo o herói termina seus dias em hotéis             vagabundos, escrevendo livros que nunca irá publicar”.</p>
<p>Eu me limitei a sorrir. Então ele me desejou &#8220;boa noite&#8221; e voltou para a             recepção.</p>
<p>Eu subi a escada e, ao chegar ao corredor, parei diante da porta do quarto que o casal             ocupava e tentei ouvir alguma coisa. Mas tudo estava silencioso. Entrei nó meu quarto e,             enquanto me despia, pensei no velho Lilico. Ele tinha razão: ainda me restavam alguns             anos pela frente. E essa era a pior parte da história.</span></p>
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		<title>Ei você aí, me dá um dinheiro aí?</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Oct 2008 22:11:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[Veneno]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou fazer um slideshow para você. Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos. Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span class="font1">Vou fazer um slideshow para você.<br />
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.<br />
Quem sabe até já se acostumou com elas.<br />
Começa com aquelas crianças famintas da África.<br />
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.<br />
Aquelas com moscas nos olhos.<br />
Os slides se sucedem.<br />
Êxodos de populações inteiras.<br />
Gente faminta.<br />
Gente pobre.<br />
Gente sem futuro.<br />
Durante décadas, vimos essas imagens.<br />
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.<br />
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.<br />
São imagens de miséria que comovem.<br />
São imagens que criam plataformas de governo.<br />
Criam ONGs.<br />
Criam entidades.<br />
Criam movimentos sociais.<br />
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em<br />
Bogotá sensibiliza.<br />
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.<br />
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se<br />
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.<br />
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o<br />
problema da fome no mundo.<br />
Resolver, capicce?<br />
Extinguir.<br />
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em<br />
nenhum canto do planeta.<br />
Não sei como calcularam este número.<br />
Mas digamos que esteja subestimado.<br />
Digamos que seja o dobro.<br />
Ou o triplo.<br />
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.<br />
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.<br />
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.<br />
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar a fome de quem já estava de barriga cheia.</span></p>
<p><em>Retirado daqui: <a href="http://www.boechat.com/tele/base/2008/10/ei_voce_ai_me_d.html" target="_blank">http://www.boechat.com/tele/base/2008/10/ei_voce_ai_me_d.html</a></em></p>
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		<title>A vã corrida atrás da história</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2008/10/13/a-va-corrida-atras-da-historia/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 14:31:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Misc]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Roberto Pompeu de Toledo &#8220;Identificar no crash dos bancos americanos o fim de uma era é avançar sobre o futuro com os mesmos precários instrumentos dos operadores doidivanas de Wall Street&#8221; Uma charge na revista New Yorker de algum tempo atrás mostrava um cidadão da Roma antiga que, ao datar um documento, faz um gesto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="post-body entry-content"><span class="Apple-style-span" style="font-size: 11px; line-height: 14px; font-family: Arial; color: #333333;"></p>
<p class="revistasSubTitulo" style="font-family: Arial; font-size: 15px; font-weight: bold; color: #333333; line-height: 18px;" align="left"><em>Por Roberto Pompeu de Toledo</em></p>
<p class="revistasSubTitulo" style="font-family: Arial; font-size: 15px; font-weight: bold; color: #333333; line-height: 18px; padding-left: 30px;" align="left"><em>&#8220;Identificar no crash dos bancos americanos o fim de uma era é avançar sobre o futuro com os mesmos precários instrumentos dos operadores doidivanas de Wall Street&#8221;</em></p>
<p align="left"><span class="revistasCorpo" style="font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 16px; font-family: Verdana;">Uma charge na revista <em>New Yorker</em> de algum tempo atrás mostrava um cidadão da Roma antiga que, ao datar um documento, faz um gesto de desconsolo e se lamenta: &#8220;Esqueci de novo! Pus <em>a.C.</em> em vez de <em>d.C.</em>&#8220;. Explicar a graça de uma piada é a melhor forma de desmoralizá-la, mas, vamos lá, abramos uma exceção. O romano cometia o mesmo erro, hoje tão comum, de ao emitir um cheque, no começo do ano, repetirmos a data do ano que terminou. No seu caso errara de era – em vez de &#8220;depois de Cristo&#8221;, escrevera &#8220;antes de Cristo&#8221; –, e é desse fato que a charge extrai seus efeitos. Como é que o diabo do romano podia saber que já estava na era do d.C., e não do a.C.? Aliás, como é que podia saber que na remota província da Judéia, por aqueles dias, nascera de uma obscura família um bebê destinado a se tornar a figura central de uma nova religião?</span></p>
<p align="left"><span class="revistasCorpo" style="font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 16px; font-family: Verdana;">A charge se desdobra de um absurdo a outro. Mesmo que o romano tivesse consciência do nascimento do bebê, dificilmente adivinharia que a religião nele inspirada viria a tornar-se tão importante que dali a três séculos se tornaria a religião oficial do Império. E mesmo que tivesse consciência disso não poderia adivinhar que, passados mais alguns séculos, o domínio da nova religião seria tal que o próprio modo de contar o tempo seria dividido entre antes e depois do nascimento de seu personagem central. O romano da charge é um portento. É capaz de sacar contra o futuro com pontaria precisa e alcance de vários séculos.</span></p>
<p align="left"><span class="revistasCorpo" style="font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 16px; font-family: Verdana;">Nos últimos dias, ao comentarem o crash do sistema financeiro americano, muitas foram as pessoas – e entre elas reputados especialistas em suas áreas – que anunciaram o fim de uma era. Seria o fim do liberalismo, do neoliberalismo, do capitalismo, de um certo capitalismo, da hegemonia americana, de um modo de vida, de um modo de encarar o mundo, talvez mesmo o fim do mundo – escolha-se o fim do que se quiser, mas que seria o fim muito grave e sério de alguma coisa, seria. Algumas pessoas anunciavam o fim de uma era por ideologia; elas não gostam do neoliberalismo, do capitalismo e da hegemonia americana, e prevêem seus fins por coincidir com seu desejo.</span></p>
<p align="left"><span class="revistasCorpo" style="font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 16px; font-family: Verdana;">Outras – e estas são mais interessantes – o fazem pelo irresistível impulso de avançar o sinal da história. A sensação é muito boa. Equivale a nada menos do que subjugar o tempo, e tê-lo aos pés como a um gatinho manso. Vive-se a emocionante experiência de ver a história brotar do solo. É como se o turco que invadiu Constantinopla pudesse ter gritado aos companheiros naquele cruel ano de 1453: &#8220;Vamos logo, que estamos inaugurando a era moderna!&#8221;. Ou como se o transeunte que passou pela Rua Saint-Antoine, em Paris, no dia 14 de julho de 1789, e viu a turbamulta atacar a Bastilha, pudesse ter comentado com a mulher, ao voltar para casa: &#8220;Sabe o que eu vi hoje, querida? O início da era contemporânea&#8221;. Antecipar um marco histórico nos faz tão poderosos, no saque contra o futuro, quanto o romano da charge.</span></p>
<p align="left"><span class="revistasCorpo" style="font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 16px; font-family: Verdana;">A isso se acrescenta o prazer de desafiar a monotonia do tempo. Todo dia é a mesma coisa: amanhece, entardece, anoitece. Vai-se ao trabalho, à noite vê-se televisão, dorme-se. Mas espera que aí vem bomba! Nada mais será como antes! Em sete anos, esta é a segunda vez que assistimos a uma chuva de profecias de uma nova era. A anterior foi no 11 de setembro de 2001. Nada também seria como antes. O que concretamente mudou foi que em Nova York não existem mais dois vistosos prédios. A guerra que se seguiu, contra o Iraque, foi uma prova de que tudo continuou tão igual que os Estados Unidos foram capazes de cometer o mesmo erro do Vietnã, envolvendo-se num conflito sem sentido e sem saída.</span></p>
<p align="left"><span class="revistasCorpo" style="font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 16px; font-family: Verdana;">O problema é que a história é tão exasperadamente lenta em manifestar-se que só se percebem seus movimentos décadas ou séculos depois. Na vida real, é mais aceitável o transeunte da Rua Saint-Antoine ter comentado com a mulher que aquele dia 14 de julho não teve nada de mais, só um incidentezinho na Bastilha. Querer flagrar a história no próprio instante em que está dando o pinote é vão. Aliás, não existem pinotes. O que existem são convenções futuras em que se fincam os marcos das transições. Profetizar o fim de uma era é avançar sobre o futuro com os mesmos precários instrumentos dos operadores doidivanas de Wall Street.</span></p>
<p align="left">Retirado daqui: <a title="http://arquivoetc.blogspot.com/2008/10/roberto-pompeu-de-toledo.html" href="http://arquivoetc.blogspot.com/2008/10/roberto-pompeu-de-toledo.html" target="_blank">http://arquivoetc.blogspot.com/2008/10/roberto-pompeu-de-toledo.html</a></p>
<p></span></div>
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		<title>Inocência</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2008/07/11/inocencia/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Jul 2008 13:15:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>reano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pastilhas]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[O que é a inocência&#8230; senão a verdade pura, incólume. Antagonismo da desesperança. Quando quebrada, nada sobra, nem cacos a se unir novamente. Tudo de mais precioso que tenho é a inocência. Como posso então, abdicá-la por qualquer coisa neste mundo? Se é por ela, que seiva o caminho da esperança. Nenhum valor deve se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que é a inocência&#8230;<br />
senão a verdade pura, incólume.</p>
<p>Antagonismo da desesperança.</p>
<p>Quando quebrada, nada sobra, nem cacos a se unir novamente.</p>
<p>Tudo de mais precioso que tenho é a inocência.<br />
Como posso então, abdicá-la por qualquer coisa neste mundo?<br />
Se é por ela, que seiva o caminho da esperança.</p>
<p>Nenhum valor deve se sobrepor a outro, causando mágoa,<br />
e este seria o início da reversão do caminho do que é correto.</p>
<p>E se concordássemos em nunca retornar da inocência.<br />
O que adviria desta escolha?<br />
Como poderíamos  desestimular esta idéia?<br />
Como poderíamos abandonar às chagas, o belo.</p>
<p>Se for para a conduta correta prevalecer,<br />
Como podemos crer então,<br />
Na falácia, de que um bem pode ser melhor que outro.</p>
<p>Nada quantifica,<br />
Nada qualifica.</p>
<p>Algo melhor predispõe a idéia de algo pior.</p>
<p>Ao olharmo-nos nos olhos, verdadeiramente.<br />
Podemos observar, a verdade pura,<br />
Por mais obnublada que esteja, pelo véu da insanidade da escolha.</p>
<p>Não suportando a verdade pura,<br />
Colocamos tudo de mais precioso a perder,<br />
O que pretendemos então com o não suportar?<br />
Viver para sempre?</p>
<p>A quem enganamos senão a todos a nossa volta e a nós mesmos?!!</p>
<p>Quando escolho a mim (por instrução de de uma livro, outrem ou por mim mesmo)<br />
Levo-me a um super-falso-amor-próprio,<br />
Um Ego mega atrofiado&#8230;</p>
<p>&#8230;&#8221;des&#8230;evolver&#8221;&#8230;</p>
<p>&#8230;&#8221;des&#8230;unir&#8221;&#8230;</p>
<p>O que, ou quem paga &#8220;meus direitos&#8221; as minhas regalias?</p>
<p>Em que ou quem, se apóia minha pseudo realidade?</p>
<p>Onde está nosso futuro e a continuação de nosso modo de vida?<br />
Senão nos filhos e crianças que criamos,<br />
Senão nos filhos e crianças que vemos serem criados,<br />
Senão nos filhos e crianças que deixamos de ser, com nossa perda voluntária da inocência.</p>
<p>Espero viver uma vida de abnegação pela inocência.</p>
<p>Se nada quantifica, qualifica ou justifica,<br />
Seria possível ou se deveria então,<br />
Perder este bem mais precioso por ele mesmo?<br />
Perpetuar a inocência pela inocência?</p>
<p>Enfim,<br />
Se é o amor que move, tudo aquilos que conhecemos,<br />
abdico então meu bem mais precioso&#8230;<br />
&#8230;a inocência,<br />
pelo amor.</p>
<p>Pois hoje sei,<br />
que é dele que nasce a inocência.</p>
<p><em>O texto acima me foi enviado por um amigo que não vejo há muitos anos. Porém, pessoas boas fazem falta na vida da gente. Nem sempre conseguimos tê-las fisicamente por perto, mas as pessoas que marcam nossa vida a gente leva no coração. </em></p>
<p><strong><em>Confira outras <a title="Poesias e Devaneios" href="http://eduengler.blogspot.com/" target="_blank">Poesias e Devaneios</a> do Edu.</em></strong></p>
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		<item>
		<title>O Encanto de Ter um(a) Amante</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2008/06/03/o-encanto-de-ter-uma-amante/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 19:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>dani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Para a generalidade das mulheres, &#8211; ter um amante significa &#8211; ter uma quantidade de ocupações, de factos, de circunstâncias a que, pelo seu organismo e pela sua educação, acham um encanto inefável. Ter um amante &#8211; não é para elas abrir de noite a porta do seu jardim. Ter um amante é ter a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="title"></h3>
<p><img src="http://www.citador.pt/images/autorid01091.jpg" border="0" alt="" hspace="8" align="left" /><span style="color: #ffcc99;"><strong>Para a generalidade das mulheres, &#8211; <em>ter um amante</em> significa &#8211; ter uma quantidade de ocupações, de factos, de circunstâncias a que, pelo seu organismo e pela sua educação, acham um encanto inefável. Ter um amante &#8211; não é para elas abrir de noite a porta do seu jardim. Ter um amante é ter a feliz, a doce ocasião destes pequeninos afazeres &#8211; escrever cartas às escondidas, tremer e ter susto: fechar-se a sós para pensar, estendida no sofá; ter o orgulho de possuir um segredo; ter aquela ideia dele e do seu amor, acompanhando com uma melodia em surdina todos os seus movimentos, a <em>toilette</em>, o banho, o bordado, o penteado: é estar numa sala cheia de gente, e vê-lo a ele, sério e indiferente, e só eles dois estarem no encanto do mistério; é procurar uma certa flor que se combinou pôr no cabelo; é estar triste por ideias amorosas, nos dias de chuva, ao canto de um fogão; é a felicidade de andar melancólica no fundo de um cupé; é fazer <em>toilette com intenção</em>, o maior dos encantos femininos! Etc.<br />
Estas pequeninas coisas, que enchem a sua existência, que a complicam em cor-de-rosa, que a idealizam &#8211; são a sua grande atracção. É o que amam. O homem amam-no pela quantidade do mistério, de interesse, de ocupação romanesca que ele dá à sua existência. De resto, amam o amor. Havia muito deste sentimento nas místicas e nas antigas noivas de Jesus. Amavam a Deus porque ele era o pretexto do culto.</strong></span></p>
<p><em>Eça de Queirós, in &#8216;Uma Campanha Alegre&#8217;</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>&#8230;</title>
		<link>http://www.descartavel.info/2008/05/29/90/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 May 2008 18:04:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>dani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[As bolhas deixam o líquido lenta e sucessivamente como anjos partindo de mim. É cedo para entender. Tarde para lembrar. Não há vestígios agora. Nenhum arranhão na pele intacta. Não há razões na mente vazia. Tudo é desconexo e indolor. Ver o corte sendo costurado sem sentir no entanto. Ver as partes se juntando lentamente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="post-body">
<blockquote>
<div style="text-align: center;"><strong><span style="color: #666666;">As bolhas deixam o líquido lenta e sucessivamente como anjos partindo de mim.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">É cedo para entender. Tarde para lembrar.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há vestígios agora.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Nenhum arranhão na pele intacta.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há razões na mente vazia.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Tudo é desconexo e indolor.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Ver o corte sendo costurado sem sentir no entanto.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Ver as partes se juntando lentamente, o sangue sumir no gaze faminto.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há manhãs quentes na memória tardia.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Nenhum tiro de canhão.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há ilusões na cartola mágica.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Os cisnes deixam o lago lenta e sucessivamente como anjos partindo de mim.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">É tarde para esquecer. Cedo para gozar.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há evidências nessa hora.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Nenhuma mácula no corpo estendido.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há canções na tarde vazia;</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Tudo é impróprio e incolor.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Ter o sangue todo enxugado sem entretanto sentir.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Ler o corpo sendo decifrado pelas mãos do homem disperso.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há noites frias na memória poente.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Nenhum peixe na rede.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">Não há ilusões na ponta da varinha.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">É cedo para lembrar. Tarde para viver.</span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">As bolhas e os cisnes partindo assim. </span></strong><br />
<strong><span style="color: #666666;">De dentro de mim.</span></strong></div>
</blockquote>
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		<title>Que é que eu procuro na literatura?</title>
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		<pubDate>Thu, 15 May 2008 17:28:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>dani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que é que eu procuro na literatura? Que é que me arrasta para este combate interminável e sempre votado ao fracasso? Como é imbecil pensar-se que se escreve para se «ter nome» e as vantagens que nisso vêm. Espera-se decerto sempre fazer melhor, mas só porque sempre se falhou. Assim se sabe também que se [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><em>Que é que eu procuro na literatura? Que é que me arrasta para este combate interminável e sempre votado ao fracasso? Como é imbecil pensar-se que se escreve para se «ter nome» e as vantagens que nisso vêm. Espera-se decerto sempre fazer melhor, mas só porque sempre se falhou. Assim se sabe também que se vai falhar de novo. Não se escreve para ninguém, o problema decide-se apenas entre nós e nós. Mas há um lugar inatingível e cada nova tentativa é uma tentativa para o alcançar. O desejo que nos anima é o de fixar, segurar pela palavra o que entrevemos e se nos furta. Julgamos às vezes que o atingimos, mas logo se sabe que não. Miragem perene de uma presença luminosa, de um absoluto de estarmos inundados dessa evidência, encantamento que nos deslumbra no instante e nesse instante se dissolve. O que me arrasta nesta luta sem fim é o aceno de uma plenitude de ser, a integração perfeita do que sou no milagre que me entreluz, a transfiguração de mim e do mundo no que fulgura e vai morrer. </em><em>Recaído de cada vez no mais baixo, na grossa naturalidade de que sou feito, de nada me vale a experiência conquistada, porque se começa sempre no zero. Então se luta de novo, se pensa que «agora é que é», nos abeiramos com humildade e terror, na esperança irrisória de que tocaremos enfim o lume que nos fascina. E quase se toca e nos queimamos na sua chama, nos transcendemos ao seu limite, no ápice desse máximo que nunca é. Luta absurda e vã, esforço inútil que recolhe apenas as sobras do milagre, nessa intérmina procura se consome a vida inteira. Mas que a ilusão nos iluda e uma vida não chega para a pagar. Que é que eu procuro na literatura? O breve nada que é tudo, o breve fulgor de um Deus que morreu. Ou que nunca existiu. Ou que nunca pôde existir… E no entanto &#8211; como o esquecer? &#8211; toda esta alegria feita de amargura, todo este esforço que te preencheu a vida será em breve um amontoado de papéis apodrecidos, lixeira para venda ao quilo ou para criação de um «posto de trabalho» municipal. Mas não sofras. Foste um momento a reinvenção do Deus que inventaste. E «mais vale reinar uma hora do que servir toda a vida». Disse-o uma senhora histórica que andava nos livros da instrução primária, ou seja, primeira. E a História é ainda a «mestra da vida». Vou ser discípulo a sério”</em></p>
<p>. <strong>Vergílio Ferreira</strong>, <em>in</em> ‘Conta-Corrente 3′ .</p></blockquote>
</div>
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