Archive for the 'Textos' Category

Experience

Author: reano
29.09.2009

By: Aldous Husley

“Experience is not what happens to you. It is what you do with what happens to you.”

L’Age D’Or

Author: reano
31.07.2009

Não é belo todo e qualquer mistério?
O maior segredo é não haver mistério algum.

Isn´t it beatiful any and every mistery?
The biggest secret is that there is no mistery at all.

Jealousy – V

Author: reano
30.07.2009

Jealousy is an emotion and typically refers to the negative thoughts and feelings of insecurity, fear, and anxiety over an anticipated loss of something that the person values, such as a relationship, friendship, or love. Jealousy often consists of a combination of emotions such as anger, sadness, and disgust. Jealousy differs from envy in that jealousy is about something one has and is afraid of losing, while envy refers to something one does not have and either wants to acquire or to prevent another from acquiring.

Jealousy is a familiar experience in human relationships. It has been observed in infants five months old and older.Some claim that jealousy is seen in every culture; however, others claim jealousy is a culture-specific phenomenon.

Jealousy as an emotion or the impact of jealousy has been a theme of many novels, songs, poems, films and other artistic works. It has also been a topic of interest for scientists, artists, and theologians. Psychologists have proposed several models of the processes underlying jealousy and have identified factors that result in jealousy. Sociologists have demonstrated that cultural beliefs and values play an important role in determining what triggers jealousy and what constitutes socially acceptable expressions of jealousy. Biologists have identified factors that may unconsciously influence the expression of jealousy. Artists have explored the theme of jealousy in photographs, paintings, movies, songs, plays, poems, and books. Theologians have offered religious views of jealousy based on the scriptures of their respective faiths.

Taken from Wikipedia.

12.06.2009

Por: Marçal Aquino

“Têm sido assim meus dias. Sou mais feliz que 97,6% da humanidade, nas contas do professor Schianberg. Faço parte de uma ínfima minoria, integrada por monges trapistas, alguns matemáticos, noviças abobadas e uns poucos artistas, gente conservada na calda da mansidão à custa de poesia ou barbitúricos. Um clube de dementes de categorias variadas, malucos de diversos calibres. Gente esquisita, que vive alheia nas frestas da realidade. Só assim conseguem entregar-se por inteiro àquilo que consagraram como objeto de culto e devoção. Para viver num estado de excitação constante, confinados num território particular, incandescente, velado aos demais. Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno. É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar, sustenta Schianberg.
Não sei que nome você daria a isso.
Bem, não importa muito, chame do que quiser.

Eu chamo de amor.”

Retirado de “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, p. 229.

Para Juliana

Author: reano
19.05.2009

Imune
Você me imuniza.

Você me protege de amores insanos,
de amores menores,
de acertos e enganos.

Você me imuniza.
Se inocula em meu corpo cada vez que me beija.

Você me imuniza,
cada vez que me deixa entrar em você
com seu jeito quente e manso
com seus carinhos que ardem e machucam,
que perfuram e esquentam
que transbordam e explodem
e por fim
acalmam.

Você me protege de loucuras e de chamas,
de jogos e de tramas
e dores.

Você me imuniza de todos os amores
que não sejam o seu
de porres e fossas que não sejam por você
de ausências, demoras
Você me imuniza de tudo

porque você domina meu todo
percorre com seu cheiro o meu corpo
e não deixa espaço
pra mais parte ou todo nenhum.

Uma pesquisa liderada por cientistas finlandeses sugere que excesso de trabalho pode aumentar o risco de declínio mental e, possivelmente, de demência. Demência é um termo genérico que descreve a deterioração de funções como memória, linguagem, orientação e julgamento. Existem vários tipos de demência, mas o mal de Alzheimer, com dois terços dos casos, é a forma mais comum.

O estudo analisou 2.214 funcionários públicos britânicos de meia idade e descobriu que aqueles que trabalhavam mais de 55 horas por semana tinham menos habilidades mentais do que os que faziam o horário normal. A pesquisa, divulgada na publicação científica American Journal of Epidemiology, descobriu que os que trabalhavam demais tinham problemas com a memória de curto prazo e lembrança de palavras.

Ainda não se sabe a razão de o excesso de trabalho causar estes efeitos no cérebro, mas os pesquisadores afirmam que os fatores mais importantes podem incluir o aumento de problemas do sono, depressão, estilo de vida prejudicial à saúde e o aumento do risco de doenças cardiovasculares, possivelmente ligados ao estresse. “As desvantagens das horas extras devem ser levadas a sério”, afirmou a pesquisadora que liderou a pesquisa Marianna Virtanen, do Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional.

Os funcionários públicos que participaram do estudo fizeram cinco testes diferentes para avaliar a função mental, uma vez entre 1997 e 1999 e novamente entre 2002 e 2004. Os que faziam mais horas extras tiveram pontuações menores em dois dos cinco testes, que avaliavam raciocínio e vocabulário.

Os efeitos eram cumulativos, quanto mais longa a semana de trabalho, piores eram os resultados nos testes. Os empregados que trabalhavam em excesso tinham menos horas de sono, relatavam mais sintomas de depressão e consumiam mais bebidas alcoólicas do que os que trabalhavam apenas no horário normal.

O professor Mika Kivimäki, que também trabalhou na pesquisa afirmou que os cientistas vão continuar com o estudo. “É particularmente importante examinar se os efeitos são duradouros e se o excesso de trabalho pode levar a problemas mais graves como demência”.

Cary Cooper, especialista em estresse no local de trabalho na Universidade de Lancaster, Grã-Bretanha, afirmou que já se sabe há algum tempo que trabalhar em excesso de forma regular pode prejudicar a saúde em geral. Agora, este estudo sugere que também podem haver danos ao funcionamento mental.

“Isto deve enviar uma mensagem aos empregadores de que insistir que as pessoas trabalhem em excesso na verdade não é bom para os negócios”, disse. “Mas a minha preocupação é que em uma recessão as pessoas trabalhem mais. As pessoas irão para o trabalho mesmo se estiverem doentes, pois querem mostrar comprometimento e garantir que não sejam os próximos funcionários demitidos”, acrescentou.

grass

O projeto de lei de um deputado do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, propõe a legalização da maconha e a cobrança de impostos sobre a venda da droga, como forma de ajudar a reduzir o alto déficit do Estado.

O projeto do representante democrata de San Francisco, Tom Ammiano, legalizaria o cultivo, a posse e a venda de maconha para maiores de 21 anos. A utilização medicinal da maconha já é legal na Califórnia, mas a nova legislação iria além disto, permitindo o uso da substância para consumidores comuns.

Cultivadores da erva e atacadistas pagariam uma taxa inicial de franquia de US$ 5 mil, além de um imposto anual de US$ 2,5 mil. Já os revendedores pagariam US$ 50 por cada onça (28 gramas) do produto.

Críticos da proposta acreditam que a legalização estimularia o consumo da maconha e levaria ao uso de drogas mais pesadas e que ao cobrar imposto o governo teria interesse em manter elevado o consumo.

E você o que acha? Você acredita que a legalização estimularia o consumo? Você acha errado o governo cobrar imposto sobre a venda de drogas?

24.10.2008

SAUDADE é  quando o momento tenta fugir da recordação para aparecer de novo e não consegue.

RECORDAÇÃO é quando, sem autorização, o teu pensamento torna a mostrar um episódio.

ANGÚSTIA é um  nó muito bem apertado no meio da tranquilidade.

PREOCUPAÇÃO é como uma cola que não deixa sair do teu pensamento aquilo que nem sequer aconteceu.

INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer, mas parece que você deveria optar por outra coisa.

SEGURANÇA é quando a idéia se cansa de procurar e pára.

INTUIÇÃO é quando o teu coração dá um salto ao futuro e regressa imediatamente.

PRESSENTIMENTO é quando passa pela tua mente o “trailer” de um filme que pode muito bem nem acontecer.

VERGONHA é um pano preto que você deseja que te cubra naquele momento.

ANSIEDADE é quando os  minutos parecem intermináveis para que você consiga o que quer.

INTERESSE é um sinal de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

SENTIMENTO é a língua que o coração usa quando necessita mandar alguma mensagem.

RAIVA é quando o leão que vive em ti mostra os dentes.

TRISTEZA é uma mão gigante que aperta o coração.

FELICIDADE é um momento que não tem pressa nenhuma.

AMIZADE é  compartilhar a vida com aqueles que você ama, por mais diferentes que eles sejam.

CULPA é quando você está convencido que  podia ter feito algo diferente, mas nem sequer tentou.

LUCIDEZ é um acesso de  loucura ao contrário.

RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção esteja dormindo e toma o comando.

VONTADE é um desejo que nos incentiva a fazer novas descobertas.

PAIXÃO é quando, apesar da  palavra “perigo”, o desejo chega e se instala.

AMOR é quando o resto da tua vida não é  suficiente para compartilhar com essa pessoa tão especial.

17.10.2008

Por: Marçal Aquino


O rapaz e a moça entraram na pousada e, de um jeito tímido, ele perguntou o preço da diária. O velho Lilico informou e o rapaz e a moça trocaram um olhar em que faiscaram jóias de diversos tamanhos. A maior delas era a cumplicidade.

Enquanto o rapaz preenchia a ficha de entrada, a moça se afastou um pouco para examinar melhor o quadro na parede — e pude vê-la por inteiro.

Era muito bonita. Tinha os cabelos e a pele claros. Alta, magra, ossos salientes nos ombros. Estava no mundo há pouco mais de uma década e meia e, com certeza, alguém que recusara já havia escrito poemas desesperados pensando nela. Ou cortado os pulsos — o que é quase a mesma coisa.

Embora não merecesse, o quadro recebeu toda sua atenção por alguns instantes. Era uma pintura ordinária. Eu já tivera a oportunidade de analisá-la durante as longas tardes em que a chuva me impedia de sair para caminhar pela cidade. Uma cidade habitada, fora da temporada turística, por velhos, aposentados e hippies extemporâneos. Gente que tentava, de um jeito ou de outro, ser esquecida.

O quadro: penso que o artista havia experimentado um momento de genuína felicidade ao contemplar, em algum canto do país, aquelas montanhas, aquele prado, aqueles cavalos. E, generoso, decidira compartilhar esse momento com o resto da humanidade. Mas a verdade é que fracassara. A arte não é feita de boas intenções.

O olhar com que a moça se despediu — para sempre — daquela obra continha um pouco de piedade. E, com isso, ela me conquistou em definitivo.

O velho Lilico entregou a chave ao rapaz, que se voltou e sorriu para a moça. Seu ar era de alguém vitorioso. Mas sou capaz de apostar que a mão que ele juntou à dela, antes de subirem a escada de madeira, tinha a palma molhada de suor. Havia um princípio de rubor no rosto dela. Eram muito jovens e estavam vivendo um grande momento, mas não sabiam disso ainda. Essas coisas a gente só compreende depois.

Lilico deixou o balcão da recepção e foi até a copa, onde falou alguma coisa para Jair, um de seus empregados. Em seguida veio até a mesa que eu ocupava.

“Gosto de gente que chega para hospedar-se sem nenhuma bagagem”, ele comentou.

“E a felicidade que eles carregam, não conta?”, eu perguntei.

Ele examinou o tabuleiro, como se estivesse tentando rememorar a jogada que pretendia fazer antes de ser interrompido pela chegada do casal.

“Mandei o Jair levar uma garrafa de champanhe para eles. Cortesia da casa”.

“Fez bem”, eu disse.

“Gozado, sabe quem essa moça me lembrou?”

Eu disse: “Sei”.

“Acho que foram os olhos dela”, ele falou. “Muito parecidos.”

Retomamos o jogo e não falamos mais do casal. Eu, porém, continuei pensando neles. Num dia como aquele, anos antes, uma mulher, que entrava comigo num hotel bem diferente daquela pousada, me dissera: “Hoje eu vou te dar um presente muito especial”.

Um pouco depois da meia-noite interrompemos o jogo e o velho Lilico recolheu as peças e guardou o tabuleiro. E eu já estava no meio da escada, a caminho do meu quarto, quando ele perguntou:

“Você ainda pensa nela?”

“De vez em quando eu penso.”

“E por que você não vai atrás dela? Vocês dois ainda têm alguns anos pela frente.”

“A mágica não acontece duas vezes”, eu disse.

O velho Lilico balançou a cabeça.

“Você sabe que só em filme francês antigo o herói termina seus dias em hotéis vagabundos, escrevendo livros que nunca irá publicar”.

Eu me limitei a sorrir. Então ele me desejou “boa noite” e voltou para a recepção.

Eu subi a escada e, ao chegar ao corredor, parei diante da porta do quarto que o casal ocupava e tentei ouvir alguma coisa. Mas tudo estava silencioso. Entrei nó meu quarto e, enquanto me despia, pensei no velho Lilico. Ele tinha razão: ainda me restavam alguns anos pela frente. E essa era a pior parte da história.

15.10.2008

Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em
Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o
problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em
nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar a fome de quem já estava de barriga cheia.

Retirado daqui: http://www.boechat.com/tele/base/2008/10/ei_voce_ai_me_d.html

13.10.2008

Por Roberto Pompeu de Toledo

“Identificar no crash dos bancos americanos o fim de uma era é avançar sobre o futuro com os mesmos precários instrumentos dos operadores doidivanas de Wall Street”

Uma charge na revista New Yorker de algum tempo atrás mostrava um cidadão da Roma antiga que, ao datar um documento, faz um gesto de desconsolo e se lamenta: “Esqueci de novo! Pus a.C. em vez de d.C.“. Explicar a graça de uma piada é a melhor forma de desmoralizá-la, mas, vamos lá, abramos uma exceção. O romano cometia o mesmo erro, hoje tão comum, de ao emitir um cheque, no começo do ano, repetirmos a data do ano que terminou. No seu caso errara de era – em vez de “depois de Cristo”, escrevera “antes de Cristo” –, e é desse fato que a charge extrai seus efeitos. Como é que o diabo do romano podia saber que já estava na era do d.C., e não do a.C.? Aliás, como é que podia saber que na remota província da Judéia, por aqueles dias, nascera de uma obscura família um bebê destinado a se tornar a figura central de uma nova religião?

A charge se desdobra de um absurdo a outro. Mesmo que o romano tivesse consciência do nascimento do bebê, dificilmente adivinharia que a religião nele inspirada viria a tornar-se tão importante que dali a três séculos se tornaria a religião oficial do Império. E mesmo que tivesse consciência disso não poderia adivinhar que, passados mais alguns séculos, o domínio da nova religião seria tal que o próprio modo de contar o tempo seria dividido entre antes e depois do nascimento de seu personagem central. O romano da charge é um portento. É capaz de sacar contra o futuro com pontaria precisa e alcance de vários séculos.

Nos últimos dias, ao comentarem o crash do sistema financeiro americano, muitas foram as pessoas – e entre elas reputados especialistas em suas áreas – que anunciaram o fim de uma era. Seria o fim do liberalismo, do neoliberalismo, do capitalismo, de um certo capitalismo, da hegemonia americana, de um modo de vida, de um modo de encarar o mundo, talvez mesmo o fim do mundo – escolha-se o fim do que se quiser, mas que seria o fim muito grave e sério de alguma coisa, seria. Algumas pessoas anunciavam o fim de uma era por ideologia; elas não gostam do neoliberalismo, do capitalismo e da hegemonia americana, e prevêem seus fins por coincidir com seu desejo.

Outras – e estas são mais interessantes – o fazem pelo irresistível impulso de avançar o sinal da história. A sensação é muito boa. Equivale a nada menos do que subjugar o tempo, e tê-lo aos pés como a um gatinho manso. Vive-se a emocionante experiência de ver a história brotar do solo. É como se o turco que invadiu Constantinopla pudesse ter gritado aos companheiros naquele cruel ano de 1453: “Vamos logo, que estamos inaugurando a era moderna!”. Ou como se o transeunte que passou pela Rua Saint-Antoine, em Paris, no dia 14 de julho de 1789, e viu a turbamulta atacar a Bastilha, pudesse ter comentado com a mulher, ao voltar para casa: “Sabe o que eu vi hoje, querida? O início da era contemporânea”. Antecipar um marco histórico nos faz tão poderosos, no saque contra o futuro, quanto o romano da charge.

A isso se acrescenta o prazer de desafiar a monotonia do tempo. Todo dia é a mesma coisa: amanhece, entardece, anoitece. Vai-se ao trabalho, à noite vê-se televisão, dorme-se. Mas espera que aí vem bomba! Nada mais será como antes! Em sete anos, esta é a segunda vez que assistimos a uma chuva de profecias de uma nova era. A anterior foi no 11 de setembro de 2001. Nada também seria como antes. O que concretamente mudou foi que em Nova York não existem mais dois vistosos prédios. A guerra que se seguiu, contra o Iraque, foi uma prova de que tudo continuou tão igual que os Estados Unidos foram capazes de cometer o mesmo erro do Vietnã, envolvendo-se num conflito sem sentido e sem saída.

O problema é que a história é tão exasperadamente lenta em manifestar-se que só se percebem seus movimentos décadas ou séculos depois. Na vida real, é mais aceitável o transeunte da Rua Saint-Antoine ter comentado com a mulher que aquele dia 14 de julho não teve nada de mais, só um incidentezinho na Bastilha. Querer flagrar a história no próprio instante em que está dando o pinote é vão. Aliás, não existem pinotes. O que existem são convenções futuras em que se fincam os marcos das transições. Profetizar o fim de uma era é avançar sobre o futuro com os mesmos precários instrumentos dos operadores doidivanas de Wall Street.

Retirado daqui: http://arquivoetc.blogspot.com/2008/10/roberto-pompeu-de-toledo.html

Inocência

Author: reano
11.07.2008

O que é a inocência…
senão a verdade pura, incólume.

Antagonismo da desesperança.

Quando quebrada, nada sobra, nem cacos a se unir novamente.

Tudo de mais precioso que tenho é a inocência.
Como posso então, abdicá-la por qualquer coisa neste mundo?
Se é por ela, que seiva o caminho da esperança.

Nenhum valor deve se sobrepor a outro, causando mágoa,
e este seria o início da reversão do caminho do que é correto.

E se concordássemos em nunca retornar da inocência.
O que adviria desta escolha?
Como poderíamos desestimular esta idéia?
Como poderíamos abandonar às chagas, o belo.

Se for para a conduta correta prevalecer,
Como podemos crer então,
Na falácia, de que um bem pode ser melhor que outro.

Nada quantifica,
Nada qualifica.

Algo melhor predispõe a idéia de algo pior.

Ao olharmo-nos nos olhos, verdadeiramente.
Podemos observar, a verdade pura,
Por mais obnublada que esteja, pelo véu da insanidade da escolha.

Não suportando a verdade pura,
Colocamos tudo de mais precioso a perder,
O que pretendemos então com o não suportar?
Viver para sempre?

A quem enganamos senão a todos a nossa volta e a nós mesmos?!!

Quando escolho a mim (por instrução de de uma livro, outrem ou por mim mesmo)
Levo-me a um super-falso-amor-próprio,
Um Ego mega atrofiado…

…”des…evolver”…

…”des…unir”…

O que, ou quem paga “meus direitos” as minhas regalias?

Em que ou quem, se apóia minha pseudo realidade?

Onde está nosso futuro e a continuação de nosso modo de vida?
Senão nos filhos e crianças que criamos,
Senão nos filhos e crianças que vemos serem criados,
Senão nos filhos e crianças que deixamos de ser, com nossa perda voluntária da inocência.

Espero viver uma vida de abnegação pela inocência.

Se nada quantifica, qualifica ou justifica,
Seria possível ou se deveria então,
Perder este bem mais precioso por ele mesmo?
Perpetuar a inocência pela inocência?

Enfim,
Se é o amor que move, tudo aquilos que conhecemos,
abdico então meu bem mais precioso…
…a inocência,
pelo amor.

Pois hoje sei,
que é dele que nasce a inocência.

O texto acima me foi enviado por um amigo que não vejo há muitos anos. Porém, pessoas boas fazem falta na vida da gente. Nem sempre conseguimos tê-las fisicamente por perto, mas as pessoas que marcam nossa vida a gente leva no coração.

Confira outras Poesias e Devaneios do Edu.

03.06.2008

Para a generalidade das mulheres, – ter um amante significa – ter uma quantidade de ocupações, de factos, de circunstâncias a que, pelo seu organismo e pela sua educação, acham um encanto inefável. Ter um amante – não é para elas abrir de noite a porta do seu jardim. Ter um amante é ter a feliz, a doce ocasião destes pequeninos afazeres – escrever cartas às escondidas, tremer e ter susto: fechar-se a sós para pensar, estendida no sofá; ter o orgulho de possuir um segredo; ter aquela ideia dele e do seu amor, acompanhando com uma melodia em surdina todos os seus movimentos, a toilette, o banho, o bordado, o penteado: é estar numa sala cheia de gente, e vê-lo a ele, sério e indiferente, e só eles dois estarem no encanto do mistério; é procurar uma certa flor que se combinou pôr no cabelo; é estar triste por ideias amorosas, nos dias de chuva, ao canto de um fogão; é a felicidade de andar melancólica no fundo de um cupé; é fazer toilette com intenção, o maior dos encantos femininos! Etc.
Estas pequeninas coisas, que enchem a sua existência, que a complicam em cor-de-rosa, que a idealizam – são a sua grande atracção. É o que amam. O homem amam-no pela quantidade do mistério, de interesse, de ocupação romanesca que ele dá à sua existência. De resto, amam o amor. Havia muito deste sentimento nas místicas e nas antigas noivas de Jesus. Amavam a Deus porque ele era o pretexto do culto.

Eça de Queirós, in ‘Uma Campanha Alegre’

Author: dani
29.05.2008
As bolhas deixam o líquido lenta e sucessivamente como anjos partindo de mim.
É cedo para entender. Tarde para lembrar.
Não há vestígios agora.
Nenhum arranhão na pele intacta.
Não há razões na mente vazia.
Tudo é desconexo e indolor.
Ver o corte sendo costurado sem sentir no entanto.
Ver as partes se juntando lentamente, o sangue sumir no gaze faminto.
Não há manhãs quentes na memória tardia.
Nenhum tiro de canhão.
Não há ilusões na cartola mágica.
Os cisnes deixam o lago lenta e sucessivamente como anjos partindo de mim.
É tarde para esquecer. Cedo para gozar.
Não há evidências nessa hora.
Nenhuma mácula no corpo estendido.
Não há canções na tarde vazia;
Tudo é impróprio e incolor.
Ter o sangue todo enxugado sem entretanto sentir.
Ler o corpo sendo decifrado pelas mãos do homem disperso.
Não há noites frias na memória poente.
Nenhum peixe na rede.
Não há ilusões na ponta da varinha.
É cedo para lembrar. Tarde para viver.
As bolhas e os cisnes partindo assim.
De dentro de mim.
15.05.2008

Que é que eu procuro na literatura? Que é que me arrasta para este combate interminável e sempre votado ao fracasso? Como é imbecil pensar-se que se escreve para se «ter nome» e as vantagens que nisso vêm. Espera-se decerto sempre fazer melhor, mas só porque sempre se falhou. Assim se sabe também que se vai falhar de novo. Não se escreve para ninguém, o problema decide-se apenas entre nós e nós. Mas há um lugar inatingível e cada nova tentativa é uma tentativa para o alcançar. O desejo que nos anima é o de fixar, segurar pela palavra o que entrevemos e se nos furta. Julgamos às vezes que o atingimos, mas logo se sabe que não. Miragem perene de uma presença luminosa, de um absoluto de estarmos inundados dessa evidência, encantamento que nos deslumbra no instante e nesse instante se dissolve. O que me arrasta nesta luta sem fim é o aceno de uma plenitude de ser, a integração perfeita do que sou no milagre que me entreluz, a transfiguração de mim e do mundo no que fulgura e vai morrer. Recaído de cada vez no mais baixo, na grossa naturalidade de que sou feito, de nada me vale a experiência conquistada, porque se começa sempre no zero. Então se luta de novo, se pensa que «agora é que é», nos abeiramos com humildade e terror, na esperança irrisória de que tocaremos enfim o lume que nos fascina. E quase se toca e nos queimamos na sua chama, nos transcendemos ao seu limite, no ápice desse máximo que nunca é. Luta absurda e vã, esforço inútil que recolhe apenas as sobras do milagre, nessa intérmina procura se consome a vida inteira. Mas que a ilusão nos iluda e uma vida não chega para a pagar. Que é que eu procuro na literatura? O breve nada que é tudo, o breve fulgor de um Deus que morreu. Ou que nunca existiu. Ou que nunca pôde existir… E no entanto – como o esquecer? – toda esta alegria feita de amargura, todo este esforço que te preencheu a vida será em breve um amontoado de papéis apodrecidos, lixeira para venda ao quilo ou para criação de um «posto de trabalho» municipal. Mas não sofras. Foste um momento a reinvenção do Deus que inventaste. E «mais vale reinar uma hora do que servir toda a vida». Disse-o uma senhora histórica que andava nos livros da instrução primária, ou seja, primeira. E a História é ainda a «mestra da vida». Vou ser discípulo a sério”

. Vergílio Ferreira, in ‘Conta-Corrente 3′ .

Author: dani
23.04.2008

Falta um pouco de atitude. Falta
maturidade. Falta sapiência talvez.

Falta um pouco de loucura. Um pouco de
intensidade.

Falta
drama. Falta teor,
profundidade.

Dizer
palavrões.

Pular as
janelas.

Tomar
sorvete.

Cerveja fria
na tarde
quente.

Cinema na terça.

Dançar no quarto.

Dirigir sem rumo.

Cantar no chuveiro.

Ler na rede.

Brincar.

Sorrir mais.

Olhar a vida.

Abraçar mais.

Beijar.

Ser feliz todo dia.

Pra
fazer valer

tudo
isso.

Porque não dá
pra
esquecer

ou
ignorar meu
coração.

Não dá pra apagar
tudo,

ou formatar a memória.

É necessário assumir quem
sou,

o que há em
mim.

Nessa
vida.

Colaboração

Author: reano
04.04.2008

Eu tenho só uma chance de mudar. Poeta de araque, vivo gastando o tempo que não tenho pela falta de porra nenhuma pra fazer achando belezas escondidas, objetos perdidos em antiquários suspeitos dentro do calabouço da minha mente, trôpega e desfigurada pelas mesmices e vulgaridade dos meus pensamentos e atitudes.

Colaboração involuntária do amigão Bruno.

Mais aqui: http://www.ernestoolivatto.blogspot.com/

Flor de Obsessão

Author: reano
04.04.2008

Por: Nelson Rodrigues

- O adulto não existe. O homem é o menino perene.

- Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.

- A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.

- Amar é ser fiel a quem nos trai.

- Toda autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto.

- Só acredito na bondade que ri. Todo santo devia ser jucundo como um abade da Brahma.

- O brasileiro é um feriado.

- Os jardins de Burle Marx não têm flores. Têm gramados e não flores. Mas para que grama, se não somos cabras?

- A burrice é a pior forma de loucura.

- No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer.

- O carioca é o único sujeito capaz de berrar confidências secretíssimas de uma calçada para outra calçada.

- Num casal, pior que o ódio, é a falta de amor.

- O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira.

- Geralmente, o puxa-saco dá um marido e tanto.

- O carioca é um extrovertido ululante.

- As bodas de prata são, via de regra, uma festa cínica que finge comemorar um amor enterrado.

- O pior cego é o surdo. Tirem o som de uma paisagem e não haverá mais paisagem.

- Os que choram pouco, ou não choram nunca, acabarão apodrecendo em vida.

- Gosto do cigarro que me queime a garganta. O fumo suave não passa de um ópio de gafieira.

- Toda coerência é, no mínimo, suspeita.

- Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.

- Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica.

- Numa simples ginga de Didi, há toda uma nostalgia de gafieiras eternas.

- Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.

- Djalma Santos põe, no seu arremesso lateral, toda a paixão de um Cristo negro.

- A educação sexual só devia ser dada por um veterinário.

- Eu, como artista, se tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: — “Aqui jaz Nelson Rodrigues, assassinado pelos imbecis de ambos os sexos”.

- Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.

- Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.

- Toda família tem um momento em que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo.

- A família é o inferno de todos nós.

- A fidelidade devia ser facultativa.

- O gordo só é cruel na mesa, diante do prato, com o guardanapo a pender-lhe do pescoço.

- D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.

- Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:— quatorze anos!

- O jovem só pode ser levado a sério quando fica velho.

- Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar.

- O ser humano está mais para Lucho Gatica do que para Paul Valéry.

- O que se está fazendo aqui é uma música popular brasileira que não é popular, nem brasileira e vou além: — nem música.

- Aqui o branco não gosta do preto; e o preto também não gosta do preto.

- Amigos, eis uma verdade eterna: — o passado sempre tem razão.

- Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.

- O pobre, para sobreviver, precisa da pornografia.

- O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato.

- O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.

- É impossível ser ridículo dentro de uma Mercedes.

- Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.

- A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.

- No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua.

- Uma dor de viúva dura 48 horas.

- Todo óbvio é ululante.

- Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de bater.


Frases selecionadas e organizadas por Ruy Castro, extraídas do livro “
Flor de Obsessão“, Cia. das Letras – São Paulo, 1997

Author: reano
03.04.2008

I never guess. It is a capital mistake to theorize before one has data. Insensibly one begins to twist facts to suit theories, instead of theories to suit facts.

Por: Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes)

Livre tradução:

Eu nunca suponho. É um erro crasso criar teorias antes de ter dados. Sem rodeios, as pessoas começam a distorcer os fatos pra sustentar as teorias, ao invés de de ter teorias que sustentam os fatos.

Author: dani
01.04.2008

Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor a minha idéia de os achar belos.

Só lamento o não ser criança, para que pudesse crer nos meus sonhos”

Fernando Pessoa .

(Livro do Desassossego)