Archive for the 'Poesia' Category

Bailar

Author: reano
02.03.2010

Ela gostava dos esconderijos, dos dizeres impossíveis. Teve de amar pelo oculto, das poesias mais missais, de um pecado fingidor. Conseguiu exprimir dos objetos secos e opacos o mínimo necessário para jorrar essência. Era uma dança soprada, uma alma revelada sem carne. Foi vento dissecado pela esquina da contramão. Quando, de certo, perdeu-se na curva e esvaiu-se por inocência do credo, não soube ler quiromancia mas soube decifrar bem a sentença da ausência. Ausência aquela que de tanto existir nunca soube se ter.

Retirado da Minha Alma.

REDUNDÂNCIAS

Author: reano
21.02.2010

Por: Ferreira Gullar


Ter medo da morte

é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo o que é vida

Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos

E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo


Soneto

Author: reano
18.12.2009

Por: Mario de Andrade, 1937

Aceitarás o amor como eu o encaro?…
… Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza… a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Ano Novo

Author: reano
17.12.2009

Por: Carlos Drummond de Andrade

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo.
Eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo.

Eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

Experience

Author: reano
29.09.2009

By: Aldous Husley

“Experience is not what happens to you. It is what you do with what happens to you.”

24.09.2009
12.06.2009

Por: Marçal Aquino

“Têm sido assim meus dias. Sou mais feliz que 97,6% da humanidade, nas contas do professor Schianberg. Faço parte de uma ínfima minoria, integrada por monges trapistas, alguns matemáticos, noviças abobadas e uns poucos artistas, gente conservada na calda da mansidão à custa de poesia ou barbitúricos. Um clube de dementes de categorias variadas, malucos de diversos calibres. Gente esquisita, que vive alheia nas frestas da realidade. Só assim conseguem entregar-se por inteiro àquilo que consagraram como objeto de culto e devoção. Para viver num estado de excitação constante, confinados num território particular, incandescente, velado aos demais. Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno. É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar, sustenta Schianberg.
Não sei que nome você daria a isso.
Bem, não importa muito, chame do que quiser.

Eu chamo de amor.”

Retirado de “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, p. 229.

Para Juliana

Author: reano
19.05.2009

Imune
Você me imuniza.

Você me protege de amores insanos,
de amores menores,
de acertos e enganos.

Você me imuniza.
Se inocula em meu corpo cada vez que me beija.

Você me imuniza,
cada vez que me deixa entrar em você
com seu jeito quente e manso
com seus carinhos que ardem e machucam,
que perfuram e esquentam
que transbordam e explodem
e por fim
acalmam.

Você me protege de loucuras e de chamas,
de jogos e de tramas
e dores.

Você me imuniza de todos os amores
que não sejam o seu
de porres e fossas que não sejam por você
de ausências, demoras
Você me imuniza de tudo

porque você domina meu todo
percorre com seu cheiro o meu corpo
e não deixa espaço
pra mais parte ou todo nenhum.

10.04.2009
Esse talvez seja o segredo de conseguir as coisas: o desejo
Há que desejar intensamente, com desvario e sandice no fundo do peito
Seja vencer um jogo, conquistar uma mulher ou escrever um bom livro
Só um desejo absoluto, uma loucura sã, é que nos faz alcançar um grande feito

A certeza de correr atrás de um sonho que se encontra distante
O desejo que move, que empurra, que te comanda atrás do que parece inviável
Seja a presença, o olhar ou o cheiro da pessoa mais importante
Que te abraça, que te chama, que se mostra a pessoa mais afável

A love like that

Author: reano
12.03.2009

27.02.2009

Vídeo por: Michel Gondry

Música por: Chemical Brothers

How does it feel like, to wake up in the sun.
How does it feel like, to shine on everyone.
How does it feel like, to let fovever be.
How does it feel like, to spend a little lifetime sitting in the gutter.
Scream out sympathy.

How does it feel like, to sail on the breeze.
How does it feel like, to spend a little lifetime sitting in the gutter.
Scream out sympathy.

How does it feel like, to make it happening.
How does it feel like, to breathe with everything.
How does it feel like, to let forever be.
How does it feel like, to spend a little lifetime sitting in the gutter.
Scream out sympathy.

How does it feel like, to be a crystal fiend
How does it feel like, to spend a little lifetime sitting in the gutter.
Scream out sympathy.

Prova da Crise

Author: reano
09.01.2009

Como prova da crise mundial, várias empresas já estudam atualizar seus logotipos pra se adequarem à crise mundial.

Retirado daqui.

funnyreccesion

Caminhos II

Author: reano
04.10.2008

Por: Raul Seixas

Assim como
Todas as portas são diferentes
Aparentemente
Todos os caminhos são diferentes
Mas vão dar todos no mesmo lugar
Sim
O caminho do fogo é a água
Assim como
O caminho do barco é o porto
O caminho do sangue é o chicote
Assim como
O caminho do reto é o torto
O caminho do risco é o sucesso
Assim como
O caminho do acaso é a sorte
O caminho da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte

Canto Para Minha Morte

Author: reano
04.10.2008

Por: Raul Seixas

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar…

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas… Um acidente de carro,
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio…

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite…

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Elegia

Author: reano
11.09.2008

Por: Caetano Veloso

Deixa que minha mão errante adentre
Em cima, em baixo, entre.
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista.
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério.
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes.
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita.
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la.

Elegia

Author: reano
11.09.2008

Por: Rogério Rochlitz

Se minhas mãos erguem-se em prece
É quando ainda te desconhecem.
Mas se ao contrário, sem pressa,
Te perseguem
É pra que jamais em vão se esqueçam
Que as leis que regem nossos corpos
As mesmas são que as dos celestes
Provam-no os raios do Sol
Recolhendo-se aos seus postos
Quando surge o brilho recoberto
Por tuas vestes
Pois tal como um astro e outro em flerte
As rotas não escolhem
Assim me vi, cumprindo,
No ato de eleger-te
A sina de girar em torno a ti

Inocência perdida

Author: reano
11.09.2008

Existem linhas que jamais deveriam ser ultrapassadas
Uma vez do lado de lá, já era.

Pode-se retornar, sempre
Mas o lado de cá nunca mais será o mesmo.

As cores mudam.
Às vezes, ficam mais pálidas
Às vezes ficam mais fortes.

Mas existem coisas que mudam pra sempre.

Como esperar que uma flor desabrochada
Volte a ser semente?

Como esperar que, uma vez perdido o respeito,
A educação continue premente?

Como esperar que depois de morto
O defunto continue a ser chamado de gente?

Como voltar atrás
Se a inocência foi perdida pra sempre?

Acrilic on Canvas

Author: reano
11.09.2008

Por: Renato Russo

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Às vezes é difícil esquecer:
“Sinto muito, ela não mora mais aqui”
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De “amor-perfeito”
E “não-te-esqueças-de-mim”

Inocência

Author: reano
11.07.2008

O que é a inocência…
senão a verdade pura, incólume.

Antagonismo da desesperança.

Quando quebrada, nada sobra, nem cacos a se unir novamente.

Tudo de mais precioso que tenho é a inocência.
Como posso então, abdicá-la por qualquer coisa neste mundo?
Se é por ela, que seiva o caminho da esperança.

Nenhum valor deve se sobrepor a outro, causando mágoa,
e este seria o início da reversão do caminho do que é correto.

E se concordássemos em nunca retornar da inocência.
O que adviria desta escolha?
Como poderíamos desestimular esta idéia?
Como poderíamos abandonar às chagas, o belo.

Se for para a conduta correta prevalecer,
Como podemos crer então,
Na falácia, de que um bem pode ser melhor que outro.

Nada quantifica,
Nada qualifica.

Algo melhor predispõe a idéia de algo pior.

Ao olharmo-nos nos olhos, verdadeiramente.
Podemos observar, a verdade pura,
Por mais obnublada que esteja, pelo véu da insanidade da escolha.

Não suportando a verdade pura,
Colocamos tudo de mais precioso a perder,
O que pretendemos então com o não suportar?
Viver para sempre?

A quem enganamos senão a todos a nossa volta e a nós mesmos?!!

Quando escolho a mim (por instrução de de uma livro, outrem ou por mim mesmo)
Levo-me a um super-falso-amor-próprio,
Um Ego mega atrofiado…

…”des…evolver”…

…”des…unir”…

O que, ou quem paga “meus direitos” as minhas regalias?

Em que ou quem, se apóia minha pseudo realidade?

Onde está nosso futuro e a continuação de nosso modo de vida?
Senão nos filhos e crianças que criamos,
Senão nos filhos e crianças que vemos serem criados,
Senão nos filhos e crianças que deixamos de ser, com nossa perda voluntária da inocência.

Espero viver uma vida de abnegação pela inocência.

Se nada quantifica, qualifica ou justifica,
Seria possível ou se deveria então,
Perder este bem mais precioso por ele mesmo?
Perpetuar a inocência pela inocência?

Enfim,
Se é o amor que move, tudo aquilos que conhecemos,
abdico então meu bem mais precioso…
…a inocência,
pelo amor.

Pois hoje sei,
que é dele que nasce a inocência.

O texto acima me foi enviado por um amigo que não vejo há muitos anos. Porém, pessoas boas fazem falta na vida da gente. Nem sempre conseguimos tê-las fisicamente por perto, mas as pessoas que marcam nossa vida a gente leva no coração.

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cavamneto

Author: reano
08.05.2008


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