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Archive for the 'Misc' Category
Heart
Author: reano
read comments (0)A próxima
Author: reanoQue a melhor de todas seja sempre a próxima!
read comments (0)Decisão
Author: reanoMesmo quando decidimos não tomar uma decisão, ainda assim estamos tomando uma decisão.
read comments (0)A vírgula
Author: reano
read comments (0)Colaboração
Author: reanoEu tenho só uma chance de mudar. Poeta de araque, vivo gastando o tempo que não tenho pela falta de porra nenhuma pra fazer achando belezas escondidas, objetos perdidos em antiquários suspeitos dentro do calabouço da minha mente, trôpega e desfigurada pelas mesmices e vulgaridade dos meus pensamentos e atitudes.
Colaboração involuntária do amigão Bruno.
Mais aqui: http://www.ernestoolivatto.blogspot.com/
read comments (0)Flor de Obsessão
Author: reanoPor: Nelson Rodrigues
- O adulto não existe. O homem é o menino perene.
- Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.
- A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.
- Amar é ser fiel a quem nos trai.
- Toda autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto.
- Só acredito na bondade que ri. Todo santo devia ser jucundo como um abade da Brahma.
- O brasileiro é um feriado.
- Os jardins de Burle Marx não têm flores. Têm gramados e não flores. Mas para que grama, se não somos cabras?
- A burrice é a pior forma de loucura.
- No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer.
- O carioca é o único sujeito capaz de berrar confidências secretíssimas de uma calçada para outra calçada.
- Num casal, pior que o ódio, é a falta de amor.
- O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira.
- Geralmente, o puxa-saco dá um marido e tanto.
- O carioca é um extrovertido ululante.
- As bodas de prata são, via de regra, uma festa cínica que finge comemorar um amor enterrado.
- O pior cego é o surdo. Tirem o som de uma paisagem e não haverá mais paisagem.
- Os que choram pouco, ou não choram nunca, acabarão apodrecendo em vida.
- Gosto do cigarro que me queime a garganta. O fumo suave não passa de um ópio de gafieira.
- Toda coerência é, no mínimo, suspeita.
- Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.
- Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica.
- Numa simples ginga de Didi, há toda uma nostalgia de gafieiras eternas.
- Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.
- Djalma Santos põe, no seu arremesso lateral, toda a paixão de um Cristo negro.
- A educação sexual só devia ser dada por um veterinário.
- Eu, como artista, se tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: — “Aqui jaz Nelson Rodrigues, assassinado pelos imbecis de ambos os sexos”.
- Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.
- Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.
- Toda família tem um momento em que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo.
- A família é o inferno de todos nós.
- A fidelidade devia ser facultativa.
- O gordo só é cruel na mesa, diante do prato, com o guardanapo a pender-lhe do pescoço.
- D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.
- Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:— quatorze anos!
- O jovem só pode ser levado a sério quando fica velho.
- Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar.
- O ser humano está mais para Lucho Gatica do que para Paul Valéry.
- O que se está fazendo aqui é uma música popular brasileira que não é popular, nem brasileira e vou além: — nem música.
- Aqui o branco não gosta do preto; e o preto também não gosta do preto.
- Amigos, eis uma verdade eterna: — o passado sempre tem razão.
- Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.
- O pobre, para sobreviver, precisa da pornografia.
- O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato.
- O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.
- É impossível ser ridículo dentro de uma Mercedes.
- Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.
- A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.
- No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua.
- Uma dor de viúva dura 48 horas.
- Todo óbvio é ululante.
- Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de bater.
Frases selecionadas e organizadas por Ruy Castro, extraídas do livro “Flor de Obsessão“, Cia. das Letras – São Paulo, 1997
read comments (0)Desiderata
Author: reanoPor: Max Ehrmann
Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio.
Tanto quanto possível e sem humilhar-se, viva em harmonia com todos os que o cercam.
Fale a sua verdade mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes. Eles também tem sua própria história.
Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem o nosso espírito.
Não se compare aos demais, olhando as pessoas como melhores ou piores: sempre haverá alguém inferior ou superior a você.
Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar. Mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde. Ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.
Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não deixe de enxergar a virtude. Ela existirá sempre e a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Principalmente, não simule afeição nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto ele é tão perene quanto a relva. Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas também seja compreensivo aos impulsos inovadores da juventude.
Cultive a força do espírito, ela o protegerá no infortúnio inesperado. Não se desespere com perigos imaginários, muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
E a despeito de uma disciplina rigorosa, seja gentil consigo mesmo.
Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui. Mesmo que você não possa perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino.
Esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba. Quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações na fatigante jornada pela vida, mantenha sua alma em paz. Acima da falsidade, do desencanto e agruras, o mundo ainda é bonito. Seja prudente.
Faça de tudo pra ser feliz.
read comments (1)You Gotta Be
Author: reanoPor: Des´ree
Listen as your day unfolds
Challenge what the future holds
Try and keep your head up to the sky
Lovers, they may cause you tears
Go ahead release your fears
Stand up and be counted
Don’t be ashamed to cry
You gotta be
You gotta be bad, you gotta be bold
You gotta be wiser, you gotta be hard
You gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm
You gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day
Herald what your mother said
Readin’ the books your father read
Try to solve the puzzles in your own sweet time
Some may have more cash than you
Others take a different view
My oh my heh, hey
You gotta be bad, you gotta be bold
You gotta be wiser, you gotta be hard
You gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm
You gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day
Don’t ask no questions, it goes on without you
Leaving you behind if you can’t stand the pace
The world keeps on spinning
You can’t stop it, if you try to
This time it’s danger staring you in the face
Oh oh oh Remember
read comments (0)É proibido viajar
Author: reanoPor: Contardo Calligaris
A modernidade, que começou com a livre circulação, acaba proibindo a viagem
No episódio dos jovens pesquisadores brasileiros barrados em Madri, as autoridades espanholas agiram como se o cônsul-geral do Brasil contasse lorotas para facilitar o trânsito de imigrantes ilegais. O desrespeito justifica a “retaliação” brasileira.
No mais, a cada dia, as fronteiras do mundo (não só do primeiro) barram alguém que tenta viajar, sobretudo se for jovem, solteiro e sem as aparências de uma “vida feita”.
Ao atravessar uma fronteira, o passaporte prova que estamos em paz com a Justiça de nosso país. As outras nações devem decidir se somos hóspedes desejáveis. Nas últimas décadas, as “condições” para ser desejável se multiplicaram. Hoje, no caso da Espanha:
1) 70 por dia de permanência planejada;
2) passagem de volta marcada;
3) reserva de hotel, já pago;
4) para quem se hospedar com parentes, formulário preenchido pelos mesmos;
5) quem se desloca para trabalhar deve dispor de um contrato assinado.
Normas muito parecidas valem na maioria dos países.
O escândalo é que essas condições podem nos parecer “aceitáveis”. Afinal, qualquer Estado quer proteger o emprego de seus cidadãos impedindo a chegada de imigrantes não-autorizados, não é? Pois é, Michel Foucault é mesmo o pensador para os nossos tempos: o sistema social e produtivo dominante ordena nossas vidas furtivamente, convencendo-nos de que não há opressão, mas apenas necessidades “racionais”. Se achamos essas regras “aceitáveis”, é porque já adotamos a idéia de que, no nosso mundo, só é legítimo ter moradia fixa e profissão estável.
As pessoas com moradia fixa podem, quando elas dispõem dos meios necessários, adquirir uma passagem de ida e volta e sair de seu lar seguindo um programa pré-estabelecido -ou seja, podem ser, ocasionalmente, turistas.
Escárnio: prefere-se que os turistas sejam otários, pagando de antemão. Há uma pousada melhor da que estava prevista? Você quer encurtar a viagem? Pena, você já pagou. Mas isso é o de menos. Importa o seguinte. A modernidade, que começou com a circulação (livre ou forçada) de todos os agentes econômicos, acaba parindo, nem mais nem menos, a proibição da viagem. Como assim? Pois é, viajar não tem nada a ver com férias num resort ou com ser transportado de cidade em cidade para que os cicerones nos mostrem as coisas “memoráveis”.
Para começar, viajar é usar uma passagem só de ida.
- Quanto tempo você vai ficar?
- Não faço a menor idéia. Um dia? Três meses? Um ano?
- E você vai para onde?
- Não sei. Talvez eu curta uma pequena enseada, alugue um quarto numa casa de pescadores e fique comendo caranguejos com os pés na areia. Talvez, já no avião ou pelas ruas de Barcelona, eu me apaixone por uma holandesa, um russo ou uma argelina e os siga até o país deles, por uma semana ou um mês.
Se a paixão durar, ficarei por lá.
- E o dinheiro?
- Não sei, meu amigo. Toco violão, posso ganhar um trocado numa esquina ou no metrô. Também posso lavar pratos, ajudar na colheita, cortar lenha, lavar carros e vender pulôveres. E, se a coisa apertar, tenho endereços de parentes e conhecidos que nem sabem que estou viajando, mas não me recusarão uma sopa e um banho quente. Além disso, em Paris, quando fecha o mercado da rua Saint Antoine, sobram na calçada as frutas e as saladas que não foram vendidas; em São Paulo, Londres e Nova York, conheço dezenas de igrejas que oferecem um pão com manteiga; em Varanasi, ao meio dia, distribuem riso com curry e carne aos peregrinos.
Cem anos depois da invenção do passaporte com fotografia, chegamos nisto: uma ordem que só permite se movimentar para consumir férias ou para se relocar segundo os imperativos da produção.
As regras que barram o viajante expressam nossa própria miséria coletiva: perdemos de vez o sentimento de que a vida é uma aventura. Preferimos a vida feita à vida para fazer.
Para quem quiser ler sobre a história da documentação de viagem, uma sugestão: “Invention of the Passport: Surveillance, Citizenship and the State” (invenção do passaporte: vigilância, cidadania e o Estado), de Torpey, Chanuk e Arup (Cambridge University Press).
Para quem quiser viajar, outra sugestão: a mentira, num mundo opressivo, é uma forma aceitável de resistência.
read comments (0)I don´t believe in pain
Author: reanoI don´t believe in pain
I don´t believe in fear
I don´t believe in prophecies
I don´t waste any tears
read comments (0)O que é pirata?
Author: reano“Yo ho ho e uma garrafa de rum…” Estribilho de uma canção de piratas
Faz algum tempo que, ao assistir a DVDs, em casa, sou quase que literalmente obrigado a assistir aos trailers e comerciais que precedem o filme – pois o controle remoto não mais responde, como antes, ao comando de skip introductory shit. Claro que isso transgride a minha liberdade de consumidor e cidadão – mas quem se preocupa com isso, atualmente?
Um dos comerciais mais freqüentes – nessa veiculação obrigatória e clandestina no meu domicílio – mostra um pai de família que, semelhante a um pássaro que caçou uma gorda minhoca, traz ao seu lar um DVD pirata. Ao vangloriar-se do feito, ele é severamente repreendido por toda a família, liderada pelo filho.
Esta parece ser mais um filão da publicidade televisiva contemporânea: mostrar maridos e pais como perfeitos idiotas, diante das esposas e famílias. Há um – recente – em que o desventurado pater familias é agraciado, pela própria filha, com um nariz de palhaço, pelo crime de não saber que havia uma liquidação numa loja da moda…
Este comercial e outros, na TV, bem como os muitos anúncios veiculados no rádio e na imprensa, são assinados por presumíveis associações de indústrias ligadas a produtos protegidos por direitos autorais, como filmes, música e software de computação. Não é difícil imaginar as corporações gigantescas que devem estar por trás dessas bem-intencionadas associações.
Tenho pensado, contudo: o que, na verdade, é “pirata”? O DVD copiado artesanalmente, em casa, por pequenos empresários brasileiros? Aqueles fabricados industrialmente na China, sem pedir permissão aos seus donos?
O processador de texto gentilmente cedido pelo amigo ou o namorado…
Mais: qual é a diferença essencial entre um CD pirata e um produto farmacêutico “genérico”, coisa aprovadíssima pelos nossos governos (e que quase elegeu o ex-ministro da saúde de FHC à presidência)? Sabem de uma coisa? Nenhuma.
As patentes e os direitos civis dos laboratórios que desenvolveram a droga foram simplesmente atropelados. E é muito tênue a linha que distingue um produto de consumo tradicional – de marca conhecida – de um outro que fica ao seu lado, na prateleira, e ostenta a “marca própria” da rede de supermercados. Em muitos casos, são produzidos pelo mesmo fabricante e oferecidos com embalagem e preço diferentes – não raramente, como resultado de uma “proposta irrecusável” por parte do varejista.
Até que ponto, a imitação, o produto copiado, o plágio e o sucedâneo não se tratam de ações de legítima defesa que a própria sociedade cria, diante dos cartéis e dos monopólios? Ou idealistas manifestações da desobediência civil, preconizada por gente grande como Thoreau e Gandhi?
Tai uma idéia que me faz sonhar com um Brasil novo, em que haja linhas aéreas piratas, telefones celulares piratas, empresas de água, luz e telefone piratas e – quem sabe – um governo pirata, que se mantenha no poder unicamente pelos próprios méritos e pela satisfação que proporcione aos cidadãos-clientes.
Texto retirado da edição de hoje do jornal Propaganda e Marketing, por J. R. Whitaker Penteado. Quem quiser conferir a versão original, acesse: http://www.propmark.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=43768&sid=26
read comments (1)Amai-vos
Author: reanoPor: Gibran Kahlil Gibran
Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.
Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.
Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,
mas deixai
cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.
Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.
E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.
Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.
E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.
read comments (0)Guilhotina com acessibilidade
Author: reanoPorque todos devem ter direitos iguais.

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Meu Amigo, não sou o que pareço. O que pareço é apenas uma vestimenta cuidadosamente tecida, que me protege de tuas perguntas e te protege da minha negligência.
Meu Amigo, o Eu em mim mora na casa do silêncio, e lá dentro permanecerá para sempre, despercebido, inalcançável.
Não queria que acreditasses no que digo nem confiasses no que faço – pois minhas palavras são teus próprios pensamentos em articulação e meus feitos, tuas próprias esperanças em ação.
Quando dizes: “O vento sopra do leste”, eu digo: “Sim, sopra mesmo do leste”, pois não queria que soubesses que minha mente não mora no vento, mas no mar.
Não podes compreender meus pensamentos, filhos do mar, nem eu gostaria que compreendesses. Gostaria de estar sozinho no mar.
Quando é dia contigo, meu Amigo, é noite comigo. Contudo, mesmo assim falo do meio-dia que dança sobre os montes e da sombra de púrpura que se insinua através do vale: porque não podes ouvir as canções de minhas trevas nem ver minhas asas batendo contra as estrelas – e eu prefiro que não ouças nem vejas. Gostaria de ficar a sós com a noite.
Quando ascendes a teu Céu, eu desço ao meu Inferno – mesmo então chamas-me através do abismo intransponível, “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada”, e eu te respondo: “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada” – porque não gostaria que visses meu Inferno. A chama queimaria teus olhos, e a fumaça encheria tuas narinas. E amo demais meu Inferno para querer que o visites. Prefiro ficar sozinho no Inferno.
Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão. E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas. Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso. Gostaria de rir sozinho. Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio. Tu és perfeito – e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente. E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura. Prefiro ser louco sozinho: Meu Amigo, tu não és meu Amigo, mas como te farei compreender? Meu caminho não é o teu caminho. Contudo juntos marchamos, de mãos dadas”.. Gibran Khalil Gibran .
read comments (0)Poesia Diária
Author: reanoPoesia diária
quando tu passas
do meu lado
e quase te toco.
E sinto teu cheiro
e vejo tua boca
e curto teu riso!
Poesia diária,
quando tu falas
e fico calado,
pareço um tolo.
E parado, perdido…
Imagino teu sexo.
Imagino o improvável,
O imprevisto…
Me visto, te assisto,
invisto no nada
pra colher bons fluídos,
teus fluídos que não conheço.
Alvoroço, pedaço de universo,
soluço que imagino sentir
em versos que hão de vir
por teu corpo, por teu corpo.
Poesia diária,
quando chego atrasado
e o chefe me olha ressabiado
mas não vejo nada, só teu tudo.
E quando recebo a bronca, nem ligo!
Se fosse pra ligar, ligaria pra ti.
Teu número consta no meu celular
mas cadê coragem pra te telefonar?
Outro não? Não!
Poesia diária é teu sorriso!
Poesia diária que não tenho,
mas não ligo, não ligo!
Desligo, me desligo
do mundo, de tudo,
do teu sorriso…
Consigo?
read comments (0)Think different
Author: reanoHere’s to the crazy ones.
The misfits.
The rebels.
The troublemakers.
The round pegs in the square holes.
The ones who see things differently.
They’re not fond of rules.
And they have no respect for the status quo.
You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them.
About the only thing you can’t do is ignore them.
Because they change things.
They push the human race forward.
And while some may see them as the crazy ones,
We see genius.
Because the people who are crazy enough to think
they can change the world,
Are the ones who do.
read comments (1)E então o súbito silêncio dentro de mim. Como se de repente o vazio se preenchesse de vozes caladas, e tudo que restasse fosse um breve eco imaginário dos murmúrios ditos no ouvido, encostando de leve os lábios pra causar arrepios.Era tarde quando morri. O céu mareado por nuvens amarelecidas pelos últimos raios que se atreviam pelo lado de cá. Senti simplesmente minha alma se desprender e pairar sobre meu corpo quieto. Era o espelho meu corpo deitado sob minha sombra invisível. Um espelho um pouco distorcido que exibia meu rosto petrificado numa expressão estranha. Tentei agrupar meus últimos pensamentos antes de deixar meu corpo. Mas foram muitos. E eram pensamentos interrompidos por suspiros de arrependimento.Senti a leveza e percebi que eu não era nada além de uma partícula pensante, um feixe de luz imaginário, um nada solto como aquelas pequenas partículas que pairam numa faixa de luz solar. E senti falta de meu corpo, quis voltar pra ele.Mergulhei rapidamente pelo lado direito da minha têmpora buscando o lugar dentro de mim que me acenderia outra vez, que me tornaria novamente um ser de carne, osso, coração. Mas não havia nada. Só escuridão. Nenhum som, nenhuma pequena fração de luz, de calor, de vida. Era só uma pedaço de carne sem vida. Tudo que restava de mim agora era esse fio de pensamento, sem direção e sem conhecimento que o levasse dali.Decidi permanecer junto ao meu corpo, enquanto ele ali estivesse. Logo alguém o encontraria e por um instante tentei imaginar a reação da pessoas. Não. Eu não gostaria de presenciar a cena da descoberta de meu corpo sem vida. Ou esperar enquanto alguém me despia e limpava e vestia de maneira apropriada para o funeral. E passar todas aquelas horas humilhantes ao lado do meu corpo sendo observado minuciosamente pelos amigos e parentes que chorariam, rezariam, e sairiam dali para continuar com suas próprias vidas dentro de seus corpos cheios de calor e movimento.Incrível. Realmente eu havia morrido. Estava ali estacionada um pouco acima de meu peito, verificando de perto que eu tinha as sobrancelhas por fazer. Será que alguém se lembraria de ajeitá-las para o velório? Meus cabelos estavam soltos, espalhados pelo piso frio do banheiro. Por que mesmo eu teria deixado que eles chegassem a esse comprimento? Eu usava uma camisola curta de flores pequenas coloridas. Meus óculos de leitura estavam meio tortos, mas continuavam encaixados no meu nariz. Minhas unhas bem feitas e em minha mão um frasco pequeno. Ah sim, as pílulas haviam acabado. As malditas pílulas que me manteriam viva, dentro desse corpo aí, do qual eu já começava a me distanciar.Sim, não sentia mais que aquele corpo me pertencia ou que aquela figura bizarra e descomposta no chão tinha sido eu algum dia. Seria eu esse mesmo pensamento solto no ar se tivesse habitado um outro corpo? Sentia-me feminina como sempre e não achei provável naquele momento que eu pudesse encarnar um corpo masculino. Ou um cão. Ou uma planta qualquer.Pensei então nas pessoas que eu amava. Elas me amariam da mesma forma se eu tivesse outra cor de pele, outros cabelos, outro corpo? Teria sido eu tão feliz e tão triste com outra aparência quanto fui com essa estendida bem à minha frente?E então me ocorreu a inutilidade de minha existência.Eu era agora um mero pensamento solto no ar, com todo o conhecimento adquirido em minha vida contido nele, nesse nada flutuante. E não consegui distinguir minhas pegadas pelo mundo. Não consegui naquele momento enxergar as marcas que eu deveria ter deixado, boas ações. Mas meus erros eram bem visíveis. Todos eles. Do primeiro ao último. E me senti muito só naquele silêncio. Pensei que se eu pudesse voltar faria tudo diferente. E começaria a mudar minha vida daquele momento em diante.
read comments (0)A origem etimológica do gozo
Author: reanoPara os romanos. ‘gaudium, ii’ significava alegria, satisfação, regozijo. Terencio dizia ‘lacrimare gaudio’ para expressar ‘chorar de alegria’, e Cícero, ‘gaudiis exultare’, com o sentido de estar transbordante de alegria.
Nas línguas romances, o ditongo latino ‘au’ converteu-se com freqüência em ‘o’. Isto é mais evidente em francês, língua de ortografia mais tradicional, na qual se segue escrevendo ‘au’, mas se pronuncia ‘o’. Em espanhol e português, o grupo latino ‘di’ converteu-se em ‘z’.
As principais acepções de gozo em nossa língua são o sentimento de satisfação e prazer, posse ou uso de alguma coisa, como em “gozo de um direito”, “gozo de férias”. Gozar é ainda, em linguagem coloquial, brincar com alguém com provocações amistosas e também experimentar um orgasmo.
read comments (0)Children See Children Do
Author: reano
read comments (1)As cinzas
do dia
o isqueiro
o cinzeiro
confetes e beijos vazios
a quarta
a quinta
os dias seguintes
eu.
Você aí,
do lado de lá de mim,
no meu avesso,
meu direito,
acertos e erros,
meio e fim.
As idéias no ar,
o sol no chão,
por entre a sombra das folhas.
Os copos vazios,
cigarros sem chama,
corpos na cama
vazios
vazio
me chama.
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