Bailar

Author: reano
02.03.2010

Ela gostava dos esconderijos, dos dizeres impossíveis. Teve de amar pelo oculto, das poesias mais missais, de um pecado fingidor. Conseguiu exprimir dos objetos secos e opacos o mínimo necessário para jorrar essência. Era uma dança soprada, uma alma revelada sem carne. Foi vento dissecado pela esquina da contramão. Quando, de certo, perdeu-se na curva e esvaiu-se por inocência do credo, não soube ler quiromancia mas soube decifrar bem a sentença da ausência. Ausência aquela que de tanto existir nunca soube se ter.

Retirado da Minha Alma.


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