As bolhas deixam o líquido lenta e sucessivamente como anjos partindo de mim.
É cedo para entender. Tarde para lembrar.
Não há vestígios agora.
Nenhum arranhão na pele intacta.
Não há razões na mente vazia.
Tudo é desconexo e indolor.
Ver o corte sendo costurado sem sentir no entanto.
Ver as partes se juntando lentamente, o sangue sumir no gaze faminto.
Não há manhãs quentes na memória tardia.
Nenhum tiro de canhão.
Não há ilusões na cartola mágica.
Os cisnes deixam o lago lenta e sucessivamente como anjos partindo de mim.
É tarde para esquecer. Cedo para gozar.
Não há evidências nessa hora.
Nenhuma mácula no corpo estendido.
Não há canções na tarde vazia;
Tudo é impróprio e incolor.
Ter o sangue todo enxugado sem entretanto sentir.
Ler o corpo sendo decifrado pelas mãos do homem disperso.
Não há noites frias na memória poente.
Nenhum peixe na rede.
Não há ilusões na ponta da varinha.
É cedo para lembrar. Tarde para viver.
As bolhas e os cisnes partindo assim.
De dentro de mim.
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Author: dani29.05.2008