This entry was posted on Friday, February 1st, 2008 at 2:34 pm and is filed under Misc, Pastilhas, Textos. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Both comments and pings are currently closed.
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Aqui…
Desde o dia em que o tempo passou nada mais foi como era.
O pó se acumulou sobre os antigos pertences, sobre as vidas que aqui moravam.
As aranhas teceram teias e capturaram novos insetos. Fome.
As águas inundaram os buracos deixados pelos carros que nunca cessam.
Os meus pedaços foram se espalhando de acordo com os desígnios do vento.
E o vento sopra.
Ouço seu canto nos desfiladeiros do que sobrou de mim.
Escuto seu choro nas noites de tempestade.
E minhas partes se separam, se quebram em mais pedaços, que se afastam sempre.
Meus pés tomaram direções opostas sem se preocupar com o resto de mim que se dividia.
Desde aquele instante.
O instante incerto em que o tempo decidiu passar para sempre.
E então nada é sempre igual.
Os grãos que formam a praia se transformam a cada onda.
Em meu rosto vejo marcas deixadas por unhas cravadas na carne, pelas mãos do tempo.
Em seu rosto vejo meu próprio rosto, moldando-se lentamente por entre as células que formam você.
Seus olhos me mostram nua, prostrada diante da fúria com que me toma.
E o vento sopra mais forte então.
Me leva cada vez mais para longe de mim,
para dentro de você.